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A falsa dicotomia entre saúde e economia, por Dalciso Oliveira

Possivelmente nunca imaginamos viver dias assim. Estamos em casa, sob recomendação de extremo cuidado, mãos sempre higienizadas, evitando qualquer contato externo, fora aqueles estritamente necessários. Privados de atividades sociais, culturais, esportivas, de lazer e até mesmo religiosas, com sérias restrições para o desenvolvimento do nosso trabalho. Um cenário de guerra contra o inimigo invisível, do qual a maioria das pessoas tem poucas informações.

Não sou da área médica e aprendi que quando temos uma opinião balizada pelo conhecimento, convém respeitar. Portanto, não desdenho de nenhuma das recomendações advindas dos profissionais da saúde, aos quais rendo a minha sincera homenagem.  Gostaria, no entanto, falar de algo que reputo entender, desenvolvimento da economia, afinal são quase 30 anos como empresário do setor coureiro calçadista, e mais de 20 anos como homem público. Alguns podem até não gostar de algum dos aspectos de nosso atual sistema econômico e social, mas é absolutamente verdadeiro que a essência dele é a atividade econômica. Toda riqueza que se produz no mundo advém do trabalho. É do lucro da atividade empresarial, seja da indústria, do comércio, dos serviços ou da agricultura, que o setor público se financia através dos tributos, para possibilitar a manutenção dos serviços essenciais como educação, saúde, segurança e todos os demais.

Quando colocamos um freio na atividade econômica, estamos dilapidando a base do sistema social em que vivemos, e isto é, evidentemente, insustentável. Em minhas primeiras manifestações eu já lamentava em ver a falsa dicotomia que se criava, ao propor que devíamos cuidar ou da saúde ou da economia. Penso que devemos dar atenção especial às duas e isto não é apenas possível, é necessário, é o imperativo de quem exerce a gestão pública. Não haverá saúde, sem trabalho. Não haverá democracia, sem ter como sustentá-la.

Por Dalciso Oliveira
Deputado estadual (PSB)