A influência dos Jogos Eletrônicos Violentos

Informática

Muitos jogos digitais de sucesso possuem narrativas com violência: guerras, mortes, tiros, sangue saltando por todos os lados. Com razão, muitos pais ficam preocupados sobre se isso poderá ou não causar atitudes violentas por parte dos seus filhos. Afinal, até que ponto algo que se assista – ou, no caso dos jogos, se interaja ao […]

Muitos jogos digitais de sucesso possuem narrativas com violência: guerras, mortes, tiros, sangue saltando por todos os lados. Com razão, muitos pais ficam preocupados sobre se isso poderá ou não causar atitudes violentas por parte dos seus filhos. Afinal, até que ponto algo que se assista – ou, no caso dos jogos, se interaja ao nível em que a pessoa realmente se sente participando da história – incita à violência na vida real?

Vários psicólogos, de vários lugares do mundo e abordagens diferentes de estudo já realizaram testes e pesquisas sobre essa questão. Felizmente, para tranquilidade de todos, a maioria absoluta mostra que os jogos não ensinam nem estimulam a violência. Alguns estudos, inclusive, mostram exatamente o contrário: muitas crianças e jovens passam a identificar de forma mais clara o que é um comportamento social adequado ou inadequado, a partir de experiências com jogos violentos, onde estão claramente identificados quem são os mocinhos e os bandidos, os monstros e os heróis.

Em uma abrangente e recente pesquisa com 304 crianças, de duas universidades britânicas, os cientistas não encontram nenhuma ligação entre um aumento de comportamentos agressivos e o envolvimento com videogames, mesmo que violentos. As crianças jogadoras também não apresentavam uma frequência maior de atitudes antissociais e de bullying com os colegas.

Muitos estudos conseguiram mostrar que a maioria das crianças sabe que “matar de brincadeira” durante um jogo é apenas parte do faz-de-conta, sem que com isso esteja se preparando para matar de verdade quando crescer. As crianças e adolescentes, mesmo as mais calmas e quietas, podem usar as fantasias heroicas e destemidas experimentada nos jogos e livros para, em seus mundos particulares, se sentirem capazes de grandes aventuras e a ultrapassarem os maiores desafios ao longo dessa jornada de crescimento e amadurecimento. Através dos enredos vivenciados na ficção dos jogos, somos capazes de derrotar qualquer monstro ou ameaça que possam aparecer em nossos longos caminhos desde a infância, adolescência e mesmo na idade adulta. Isso sem dizer na habilidade motora e agilidade nos reflexos que a maioria desses jogos acaba possibilitando, ou seja, o treino é psicológico, mas também é físico. Se você acompanha alguma criança ou adolescente nesses jogos mais rápidos, tenho certeza que percebe o quanto de agilidade e destreza eles adquirem. É impressionante.

Com amparo familiar, essas fantasias podem ajudar não apenas a extravasar medos e ansiedades, mas também a lidar de modo seguro com assuntos perigosos, tirando assim a necessidade de se lidar com eles na realidade. E tal necessidade, não de violência, mas de poder e controle, é sentida também em meninas, que em determinado momento, desejam se sentir femininas e poderosas. Muitas pesquisas mostram que mesmo em culturas antigas ou isoladas (sem acesso a TV e videogames), as crianças brincam com disputas ou jogos violentos sem excesso, ou seja, não é uma novidade esse comportamento e necessidade das crianças e jovens, faz parte do crescimento e preparação para a vida. Todas as gerações anteriores tiveram suas formas de representar a violência, o bom e o ruim, em brincadeiras, histórias e jogos infantis, e nem por isso nos tornamos psicopatas assassinos. (E as crianças que se tornaram adultos violentos o foram por inúmeras outras causas sociais e familiares, e não por jogos e brincadeiras – aliás, em alguns casos, pode ter sido pela falta de interação social e isolamento, isso sim uma questão sempre importante a ser analisada em crianças e adolescentes).

Uma dica sempre importante é que os pais acompanhem seus filhos em suas aventuras pelos jogos, na interação com seus amigos durante esses jogos. Alguns trabalhos citados mostram que, quando os pais conhecem os jogos de perto, eles mesmos acabam se acostumando com o ambiente do jogo e deixam de censurar as crianças, pois percebem o grau de fantasia tanto do jogo, quanto dos jogadores em seu envolvimento com esses jogos. Sabemos que, de uma ou outra forma, as crianças irão ter acesso aos jogos que quiserem, em casa ou em outros locais. Felizmente, os pesquisadores concluíram que não há perigo nisso.

Comentários