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A mídia, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – A vingança tarda, mas não falha! Netos sempre mostram aos agora pais o quanto eles foram cruéis no tratamento dos próprios pais, agora avós!

A MÍDIA

Durante meu Mestrado em Ciências da Comunicação, diante do tema de uma aula – “Por que nos comunicamos” – expliquei, metonimicamente, minha teoria: a humanidade gosta de fofoca. O professor me olhou torto. Também, foi muito atrevimento! Num templo da religião Comunicação, pós-graduação, taxar suas atividades de maneira tão sem finesse, era muito peito. Confesso, me senti um Martinho Lutero diante do papa Leão X, quando aquele decidiu criticar o catolicismo. Não era minha intenção, mas fui punido pela má impressão deixada. Fui impedido de colaborar com a revista de encerramento do curso. Segundo as palavras da colega organizadora, eu não sabia escrever academicamente.

Como já escrevi sobre isto em outra ocasião, por qual motivo toco no assunto novamente? Por sentir que a Comunicação, essa deusa, insiste em me dar razão. No processo da mensagem, quando, entre os dois polos de uma informação, emissor e receptor, nada houver além deles próprios, é fácil apreender o teor da emissão. Melhor dizendo, se o receptor está na presença do emissor, qualquer divergência pode ser dirimida no ato. Porém, quando entre eles existe a mídia – palavra significando, literalmente, “meio” – representada por seus instrumentos (jornal, rádio, televisão, etc.), operados por agentes midiáticos (jornalistas, radialistas, publicitários, apresentadores de telejornal, comentaristas, etc.) passa a funcionar o ditado “quem conta um conto aumenta um ponto”. Ou seja, o que chamei de fofoca.

Por mais que os veículos de comunicação alardeiem total isenção na difusão de um fato, é impossível eles não tomarem partido. Teoricamente, o público consumidor de notícias é receptor muito exigente nesse aspecto tão “democrático” da Comunicação. Espera, apenas, saber dos acontecimentos para, então, tomar posição. No caso da política, mesmo reproduzindo textos iguais, duas empresas midiáticas concorrentes podem dar sentidos diferentes à divulgação. Pausas, inflexões, olhares, dizem qual a intenção daquela empresa.

Num exemplo, sem muitas análises, veja o seguinte. Alguém é acusado, informalmente, de malversação de dinheiro público. Uma empresa de comunicação por interesses comerciais ou ideológicos, informa sua audiência sobre o suposto crime. Porém, em nome da citada “isenção”, avisa: “tentamos contato com fulano (ou seu representante), e não fomos atendidos”. Pronto, a audiência logo condenará o acusado. Apesar do “amplo direito ao contraditório”, o silêncio admitiu a imputação. Isso, claro, se tiver havido, realmente, o tal contato.

Esqueça! Se a mídia assim determinar, ninguém escapa ileso de suas ações deletérias.

Por Plínio Dias Zíngano
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