A praga das Fake News, por Guilherme Schirmer da Costa

A praga das Fake News

Vivemos num período histórico único onde somos capazes de conversar com pessoas do outro lado do mundo em tempo real. No entanto, toda moeda tem dois lados e a mesma tecnologia que nos une, também nos divide ao ponto de implodir reações violentas em alguns grupos. Seres humanos são criaturas sociais por natureza e isso faz com que os mesmos busquem a sensação de pertencer a um grupo. E nada mais socialmente aceito e mais tecnologicamente viável que um grupo de Whatsapp ou Facebook. A vontade de pertencer a um grupo faz com que as pessoas abram seus sentimentos mais íntimos em “textões” ou com stories do Instagram, para ganhar likes e ter apoio (e as vezes crítica) de pessoas, que muitas vezes nem conhece pessoalmente, mas serve como uma boa dose de calmante para mente. “Agora me sinto bem, alguém me enviou um coração no Facebook”.

Enfim, em tempos onde a tecnologia da informação domina não só o trabalho mas a vida social, vivemos numa guerra digital com notícias falsas diariamente. Quem nunca recebeu uma notícia tão absurda pelo Whatsapp que teve vontade de jogar o smartphone na parede de tanto absurdo unido por um parágrafo? As fake news ou notícias falsas, são uma unanimidade na vida cotidiana. Não que nunca tivesse existido aquele boato ou fofoca, mas uma fake new vai além do bairro e vem acompanhada de uma imagem (muitas vezes montada) e um texto que geralmente apresenta muitas palavras em letras maiúsculas e termos indignados. Tudo isso agora é pensado em nível estratégico, existindo até empresas que trabalham apenas criando fake news e compartilhando para milhares de pessoas. Além das fake news, existem perfis falsos controlados por código, os chamados fake bots ou robôs de internet, que existem apenas para divulgar notícias falas e criticar notícias oficiais e comentários de pessoas reais em fóruns e redes sociais.

Incrivelmente, a estratégia das notícias falsas é extremamente eficaz, já que mira grupos familiares e de interesse mútuo. Já se perguntou o porque desses dois grupos ? O primeiro é pelo elo familiar, que faz com que você repense em questionar uma mensagem de alguém querido temendo brigar com a pessoa. Ou seja, as brigas de família são planejadas por empresas por quem inicia algumas fake news. Ou você aceita o absurdo ou se rende a ele. Já em grupos de interesse mútuo o usuário que questionar a fake news será execrado pelo grupo porque não pensa de forma alinhada com a massa. Isso tem ajudado a formar grupos cada vez mais radicais e esse radicalismo de rede social, embora pareça contido pelo meio, em algum momento acaba tendo alguma reação na rua. Veja o caso das fake news das vacinas que transbordam as redes sociais que fizeram que doenças dadas como eliminadas em algumas regiões voltassem com força. Brasil e Estados Unidos tiveram surtos de Sarampo em pleno 2019 quando a doença tinha praticamente sido extinta. Achar que uma notícia falsa não influencia em nada é tolice, informação falsa mata. Ainda não existe uma forma de se defender dessa praga, até porque as fake news sempre mirão os elos mais frágeis e dispostos a divulgar e defender a notícia sem questionar. A dúvida sempre será a melhor arma para buscar a verdade, busque a fonte da notícia e se outros jornais a noticiaram. Se não existe fonte, não divulgue notícia, é simples. Ensinar as pessoas a questionar e buscar a verdade não acabaram com as fake news, mas evita que elas sigam sendo compartilhadas e, talvez, evite brigas entre amigos.

Guilherme Schirmer da Costa
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