Acusado de matar Enos Strasser é condenado a 17 anos de prisão

Polícia

Crime acontecido em 2016 foi um dos de maior repercussão em Taquara.

Promotor Eugênio Amorim conduziu a acusação contra o réu no julgamento.
Jéssica Ramos / Jornal Panorama

Após mais de 11 horas de sessão, foi concluído, pouco antes das 22 horas desta quinta-feira (13), o julgamento de Paulo Harlley Brizola de Azevedo, 25 anos, acusado de matar Enos Munis Strasser, 23 anos, em 2016. O crime, ocorrido em Taquara, teve expressiva repercussão no município, principalmente porque a vítima chegou a ficar uma semana desaparecida e seu corpo foi localizado no Rio dos Sinos, nos fundos do parque do Rolantchê, em Rolante. Paulo foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Como está preso desde 2018, resta cumprir, da pena, o tempo de 15 anos, sete meses e 24 dias.


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A sessão de julgamento começou por volta de 10h15min, com o depoimento de testemunhas de acusação e defesa. Houve, ainda, o interrogatório do réu. Aconteceram, ainda, os debates orais entre acusação e defesa, com o uso dos direitos de réplica e tréplica.


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Ao ler a sentença, o juiz Rafael Peixoto, que conduziu a sessão, disse que a prova produzida deixou claro que o réu se mostra pessoa possessiva e ciumenta. O magistrado determinou a pena de 16 anos e 4 meses de reclusão para o crime de homicídio. Para o crime de ocultação de cadáver, o réu foi condenado a um ano e dois meses de prisão. Somando as penas, chega-se aos 17 anos e meio. Peixoto lembrou que Paulo Harlley ainda tem a cumprir mais de 15 anos de reclusão. O magistrado determinou, ainda, que o réu continuará preso preventivamente.

Em entrevista à Rádio Taquara e ao Jornal Panorama após o júri, o promotor Eugênio Paes Amorim, que respondeu pela acusação, disse que foi uma satisfação trabalhar em Taquara. Amorim, que tem mais de mil júris no currículo e hoje atua em Porto Alegre, substituiu o promotor de Taquara, Leonardo Giardin de Souza, que está em férias. Amorim cumprimentou a excelência do juiz Rafael, que conduziu o caso, mas disse que achou a pena baixa. Por este motivo, anunciou que o Ministério Público recorrerá ao Tribunal de Justiça (TJ) visando a aumentar a pena fixada.

Na avaliação de Amorim, é uma tradição dos juízes gaúchos de aproximar a pena do mínimo legal. Segundo ele, a punição permitida é de 12 a 30 anos, e está na hora dos magistrados começarem a fixar os prazos acima de 20 anos. Também se manifestou, rapidamente, a mãe de Enos, Marlene Vargas Muniz, para quem foi feita justiça. “Quem faz esse tipo de coisa tem que pagar”, disse.

Entenda o caso

O corpo de Enos foi encontrado no Rio dos Sinos, nos fundos do parque do Rolantchê, no dia 5 de junho de 2016, um domingo. Isso depois de uma semana de intensa procura por parte de familiares, após o seu desaparecimento na segunda-feira anterior. A vítima saiu de sua casa, situada no bairro Mundo Novo, em Taquara, no dia 30 de maio daquele ano, por volta de 6 horas, com destino à rodoviária. Segundo as investigações, foi abordado na frente de casa e sua mãe teria ouvido vozes e o barulho de duas portas de carro fechado. O automóvel de Muniz, um Fiat Palio, foi encontrado intacto, no mesmo dia, abandonado no bairro Mundo Novo. Dinheiro e documentos dele estavam no veículo.

No processo, o réu prestou depoimento e disse que não teria motivos para matar Enos. Mas, as demais testemunhas, apontaram que o acusado não suportava o relacionamento de sua ex-namorada com a vítima, e teria feito ameaças.

A defesa de Paulo Harley sustentou a ausência de provas de autoria, dizendo que não existem indicativos de que o acusado tenha participação nos fatos. Também alegou inépcia da denúncia por conta de que o Ministério Público não teria apresentado a data e o local exato dos fatos, prejudicando o contraditório.

Reportagem: Jéssica Ramos e Vinicius Linden