Ana Paula Maggioni

Intensamente apaixonada pela vida. Essa é uma frase que me define muito. Procuro viver de modo que a emoção seja meu guia, por isso coloco sentimento em tudo que faço. De personalidade marcante e irreverente, entrego-me ao que acredito, como ensinar, por isso sou professora e creio na educação como agente de transformação da sociedade. Também amo as artes, em especial a literatura, a música, o cinema e a pintura, e sei o quanto essas podem aguçar nossas percepções de mundo. Gosto muito de Raul Seixas, e esta frase dele diz muito sobre mim: “Na vida é preciso ter coragem para ser diferente e muita competência para fazer a diferença.”


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Como se decidiu pelo magistério?
Desde pequena brincava de dar aulas e as pessoas reparavam que eu explicava bem. Também fui boa aluna, cursei Magistério no “Santa”, sempre gostei de ler e fui incentivada por minha mãe. Meu primeiro contato de leitura foi com gibis, que eram mais acessíveis. Comecei a lecionar com 18 anos para alunos de 14, na Escola Alípio Sperb. Nunca tive medo de desafios, não sou acomodada, gosto da criatividade. Há 10 anos coordeno um projeto de filmes no Santa Teresinha. Aprecio esta dinâmica.


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Como faz para conciliar tantas turmas de alunos?
Sou extremamente organizada, e isto ajuda muito. Não deixo para a última hora, faço tudo com planejamento. Tanto que, quando estou de férias, detesto planejar e usar relógio. Trabalho desde os 16 anos com educação. Comecei no Maternal Gasparzinho, sempre trabalhei e estudei, me ocupando nos três turnos. Emendei o mestrado na graduação, agora estou terminando um doutorado, e já pensando no que farei depois, pois estudar é um prazer. Dia 18 defendo minha tese de Doutorado na UFRGS, intitulada História e Memória em Gabriel Garcia Marquez e Fernando Botero. Ambos são colombianos e o trabalho me levou àquele país para a pesquisa.

Como consegue se dedicar à filha?
Nasci para ser mãe, sou bastante dedicada, mesmo com pouco tempo, ela está em primeiro lugar. Vejo que há pais com mais tempo que eu, e que não se dedicam tanto aos filhos, o que faz muita falta hoje. Pessoalmente, uso pouco o Facebook e não tenho WhatsApp, que ocupam muito tempo das pessoas.

O que você aconselha a quem deseja lecionar?
Diria que a graduação nos dá o suporte, mas a prática e o constante aperfeiçoamento é que contam mais. É importante ter humildade e saber que estamos sempre aprendendo, e que é necessário dividir o conhecimento. Os professores têm sido desvalorizados, a profissão até parece um demérito, tem tido pouca procura, pelo somatório de baixa remuneração e falta de segurança em sala de aula. E só quem leciona sabe o que é esta missão, cujo trabalho vai muito além da sala de aula.

Como vê o domínio do idioma no nosso país?
Nossa língua está empobrecida, não só pelo informalismo na internet, é preciso salientar. Já tive aluno na graduação que admitiu nunca ter lido um livro. Vejo que muitos estudantes hoje reclamam que os cobramos demais, querem que se facilite o lado deles. Há uma cultura no Brasil de tentar burlar as regras sempre, e isto se aplica também ao Português, à gramática.

No meio disso há uma casa nova em andamento?
Sim, e lá terei condições de organizar minha biblioteca, pois livros tenho muitos. Os infantis já estão no quarto da Aninha, comecei a comprá-los desde que soube que estava grávida. Meus preferidos são do gênero suspense e terror.

E a vida afetiva?
Estou solteira porque quero. Se eu vier a me apaixonar, me entrego para a relação, mas não acho que seja essencial, não fico procurando, digo que me basto muito bem, mas gosto de me relacionar também, saio com amigas, me divirto, faço programas com minha filha. É preciso respeitar o jeito de cada um. Sou a favor de viver intensamente. Sou muito prática e não tenho frescura.