Armadilhas do Destino – 1 e 2, por Rui Fischer

Caixa Postal 59

Leia a coluna de Rui Fischer no espaço de artigos do leitor do Jornal Panorama.

Era meados dos anos 1960, a juventude da minha época curtia as reuniões dançantes de garagem, aliás, tinham que ser nas garagens, porque na ala social das casas, nem pensar…os pais não deixavam – é que, na cabeça deles, a gurizada extrapolava em todos os sentidos (bebidas alcoólicas, cigarro e/ou drogas, fuminho, na época, tô fora!), sem contar, “passar do ponto” nas carícias (rs). Faziam parte da nossa turminha, entre outros, os amigos Tadeu Mafioletti e a Itamara (Ita) Fries, os quais viveram nessa época um forte flerte (namorico). Porém o namoro propriamente dito, desse casal de amigos não progrediu, por motivos que não sei explicar. O Tadeu e a Ita procuraram seus rumos, ele casou com uma moça aqui de Taquara e foi morar com ela em Santa Cruz do Sul, onde ela iria trabalhar como engenheira. Ela, a Ita, soube depois, também se casou. Com o passar do tempo, o Tadeu se divorciou e, a Itamara também. Alguns anos depois o casalzinho da juventude se reencontrou e, já adultos descomprometidos e também apaixonados desde jovens, resolveram “juntar as escovas de dente”. Viveram um feliz idílio com uma relação de um casal normal, por volta de dois anos. Porém, o destino bateu às suas portas: Tadeu adoeceu e veio a falecer (Armadilha 1), causando um baque – é lógico, na Itamara, cuja mesma já havia se acostumado ao convívio do seu amor da juventude. Essa armadilha do destino que causou a separação de um casal que deveria ter se unido há dezenas de anos atrás, também causou tristeza entre seus amigos e familiares que ficaram, principalmente em Taquara, terra natal de ambos. Nessa mesma época (meados de 1965), a amiga Nilsa Costa, andava de namoro com, o também amigo, Ricardo Bohrer (o Borinha), sendo que havia um problema, na verdade, um problemão. Como o pai da Nilsa, Augusto Costa (dono da Funerária Mundo Novo) era adventista, este embestou que o namoro de ambos não poderia seguir, pelo menos nos moldes tradicionais. Criou-se um clima quase insuportável para todos, o casal de amigos e o velho religioso tradicional (esse filme, eu já vi). O seu Augusto, resolveu tomar uma decisão radical: “convocou” um funcionário da funerária, cujo nome não vou revelar e, quando a filha foi à Porto Alegre, por um motivo qualquer o velho “intimou” o funcionário que a levasse para outro lugar e casasse com ela, evitando, assim o enlace da filha com o Borinha. A Nilsa acabou casando com o rapaz, que, de certa forma, era seu empregado por vias indiretas, rapaz este, com quem teve um casal de filhos. Porém, seu marido indesejado, começou a destratá-la, chegando até a surrá-la, criando um clima insuportável para manter o casamento e, após sete anos de martírio e sofrência, conseguiu se divorciar. Ricardo, por sua vez, namorou, e se casou com uma colega minha da polícia, sendo que teve um casal de filhos, hoje, já adultos, sendo que a esposa do Borinha, teve um câncer, com uma luta de anos, cuja doença a derrubou, resultado: ele ficou viúvo. Nilsa, já divorciada, mudou-se para a capital, onde foi trabalhar como vendedora de carros em uma revenda e acabou se casando com o dono. Passou alguns anos com esse “novo marido”, porém este adoeceu, deixando-a viúva. Após, mais uma fração de anos, Nilsa e Borinha, descompromissados, voltaram a se encontrar, sem o empecilho do pai dela, cujo mesmo já com idade avançada, havia morrido. Resolveram, após uns dois anos, “juntar as escovas” de dente tal qual o casal anterior. Também, como ocorrera com o  Tadeu e a Ita, tiveram , tipo 5 anos para curtir o namoro atrasado. mas… Ricardo que sempre trabalhou com calçados (era modelista), sendo que aspirou muita fuligem de couro, com isso “arrumou” uma doença no pulmão, a qual veio a lhe causar óbito (armadilha 2). Esse fato, é lógico, deixou a nossa amiga Nilsa sem chão (tanto é, que outro dia ao ligar para ela e falar  sobre esse assunto, esta chorou copiosamente ao telefone). Afinal, depois de tantos anos…???!!! Gostaria de fazer um parêntese sobre a Nilsa. Como ela era vizinha da minha paquera, Maria Inês Coimbra, hoje, minha esposa, ela foi uma espécie de Cupido do nosso namoro, isso tudo, quando nós, Rui e Inês, Borinha e Nilsa, frequentávamos a saudosa Lancheria e Restaurante Novo-Ponto no Edifício Alvorada, nas noites de sábado – não necessariamente. Gente, baseado nos relatos acima, em faço uma pergunta: Não são Armadilhas (e, das brabas) do Destino, essas histórias de vida desses dois casais? Um parêntese especial: quero aproveitar esta crônica, para fazer uma homenagem póstuma, é lógico, aos eternos amigos, Tadeu Mafioletti e Ricardo Bohrer (o Borinha) e, mandar um recado à eles LÁ NO CÉU, que aqui embaixo está tudo legal! Porém, estamos com saudades de vocês, nós (os amigos), e as viúvas, Ita e Nilsa.

Por Rui Fischer
Aposentado, de Taquara