Às vésperas da volta às aulas, Escola 27 de Maio teme fechamento do educandário

Educação

Estado decretou que a escola atenda em turno único e professoras afirmam que a decisão representa prejuízos para toda a comunidade.

As aulas na 27 de Maio iniciam no dia 10 de março. Enquanto isso, as professoras buscam apoio para reverter decreto do Estado. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Às vésperas de iniciar o ano letivo de 2020, funcionários e comunidade escolar da Escola Estadual de Ensino Fundamental 27 de Maio, de Taquara, se mobilizam para reverter decisão do governo do estado que decretou, no início deste ano, que o educandário passe a atender em turno único. Com o objetivo de evitar prejuízos aos alunos e professores locais, a direção da escola criou um abaixo-assinado e pretende buscar apoio da população taquarense, bem como do Legislativo, para que o Estado reconsidere a situação.


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Conforme a professora Daiana Barth, atualmente a escola atende duas turmas, de quarto e quinto ano, pela manhã, e pré, primeiro, segundo e terceiro ano à tarde. Com o turno único, que deve funcionar à tarde, os alunos da manhã não serão mais atendidos pelo educandário, segundo Daiana, porque a escola não tem estrutura para absorver a demanda em um turno só. Além disso, os alunos de inclusão, que recebem atendimento especializado no contraturno escolar, não terão mais espaço ou assistência dos professores da sala de recursos.

Daiana explicou que o fechamento de um turno implica em muitos prejuízos para os alunos, mas também para os professores, que correm o risco de serem demitidos em virtude da carga horária que será alterada. “Temos professores que fazem 20h aqui e 20h em outra escola, e não podem trocar de turno para ficar só à tarde na 27 de Maio. Ou os que fazem 40h aqui, que terão só 20h e acabarão sem contrato. Com a demissão, o problema volta aos alunos, que ficam esperando o quadro de professores ser atualizado por meses. É triste a realidade do Estado”, afirmou Daiana.


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A professora também desabafou o medo de que o fechamento de um turno da escola seja apenas o primeiro passo para encerrar as atividades da instituição de ensino em definitivo. Explicou que tem sido uma política do Estado. “O governo tem feito isso. Fecham um turno, diminui a demanda da escola, que também fica limitada no crescimento e na possibilidade de receber investimentos, e depois encerram tudo de vez”, declarou Daiana.

Carla Casagrande, moradora do bairro Jardim do Prado, onde está localizada a escola 27 de Maio, disse que está aflita com a situação. Aos 48 anos de idade, ela conta que estudou no educandário, e também matriculou as duas filhas na instituição de ensino. A mais velha, de 13 anos, já está em outra escola, mas a caçula, de nove anos, adora estudar na 27 de Maio. “É uma escola boa, pertinho de casa, nunca tivemos problemas aqui. Se tirarem um turno, como a Daiana explicou, corremos o risco de ficar sem a escola. E para onde vão as crianças? Atravessar a rodovia todos os dias? Tem muita criança carente, em situação de vulnerabilidade nessa comunidade. Vai ser muito triste se Taquara aceitar a decisão do Estado”, disse Carla.

As professoras pedem que a comunidade se una e lute para reverter a decisão. “Pedimos que as pessoas assinem nosso abaixo-assinado e compareçam na Câmara de Vereadores, na próxima terça-feira (18), às 18h. Vamos buscar solução e não deixar nossos alunos desamparados”, apelou Daiana.