Aventura, lazer, cultura e gastronomia: empreendedores de Riozinho divulgam roteiro de turismo rural

Opções, em meio à natureza, contemplam pontos turísticos da cidade, com refeições coloniais e trilhas em lugares paradisíacos.
Cascata é uma das quedas d’água das piscinas naturais do Conduto. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Fomentar o turismo rural, além de criar novas alternativas de lazer e aventura, principalmente para quem busca um roteiro de férias, com opções que atendam às mais diversas expectativas: este é o objetivo de um grupo de empreendedores de Riozinho, que vem explorando os potenciais turísticos de suas propriedades e conquistando a todos que conhecem a iniciativa. A proposta consiste num roteiro que pode contemplar oito destinos do município. Os turistas saboreiam delícias coloniais, descansam à beira do rio ou à sombra da mata nativa que o cerca, ou podem se aventurar por trilhas que revelam cascatas e piscinas naturais, além de poder visitar a aldeia indígena do Campo Molhado – onde habitam seis famílias de índios guaranis.


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O Jornal Panorama foi convidado para conhecer o roteiro e enviou dois funcionários para conferir a proposta. Eu, Jéssica Ramos, e o colega, Ronaldo Siebel, voltamos cheios de histórias e fotografias, algumas picadas de mosquito (considero interessante o uso de repelente – especialmente para alérgicos), e muita vontade de reviver a experiência. Visitamos lugares lindos, repletos de belezas particulares e pessoas muito acolhedoras. A seguir, você confere um pouco mais sobre a nossa aventura, e também sobre as pousadas e balneários que conhecemos, e que estão a cerca de 37 km de Taquara – percurso feito em menos de uma hora de carro.


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Dez horas bem vividas

A aventura começou cedo. Eu e o Ronaldo chegamos às 7h44 em frente à prefeitura de Riozinho – local combinado para encontrarmos o grupo que nos acompanharia no passeio, já que colegas de outros veículos de comunicação e autoridades municipais também foram convidados. Lá conhecemos nossos parceiros de aventura, Pedro Ferreira e Elisângela Froehlich, respectivamente extensionista rural e assistente técnica regional da Emater. Pedro explicou que a Emater, a Prefeitura e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade têm unido forças para apoiar a iniciativa dos empreendedores locais, e buscado atender às demandas do grupo, principalmente no que se refere à divulgação das atividades e à oferta de qualificação e orientação sobre turismo. Nosso passeio fez parte de uma dessas ações.

Simplicidade que conquista

O primeiro destino do roteiro foi o Balneário do Pola, localizado na rua Valdomiro João Pola, onde fomos recebidos com um café da manhã recheado de delícias. A mesa farta convidava os visitantes a saborear pães e cucas, queijo tradicional e temperado, nata, manteiga, chimias, leite, ovos e carne bovina. Tudo feito com ingredientes produzidos no próprio balneário. As delícias gastronômicas são um dos principais atrativos do local, mas muitos visitantes chegam com outro objetivo: desfrutar do frescor e da beleza do cenário – típico de interior – já que as terras são banhadas pelas águas do rio Riozinho.

O passeio começou com um belo café da manhã, no Balneário do Pola. Foto: Ronaldo Siebel/ Jornal Panorama.

Conforme a proprietária, Adriana Maria Pola, o balneário existe há uns dez anos, e é um local para passar o dia – sem pernoite. A estrutura é simples, mas abriga mais de cem pessoas, com churrasqueiras à sombra das árvores, banheiros, água, cozinha à disposição, e estacionamento. E para aqueles que não quiserem cozinhar, é possível incluir o almoço na estadia também – desde que seja feita a encomenda antecipada. Adriana disse que ela e o esposo preparam o cardápio conforme o pedido do cliente, inclusive para grupos e famílias grandes, geralmente em confraternizações.

Para curtir o dia no Balneário do Pola, é cobrada uma taxa de serviço de R$15,00, para grupos que forem passar o dia e não levarem bebidas – que podem ser adquiridas na copa do camping. E para os que optarem por levar bebidas é cobrada a taxa de serviço mais um adicional de R$10,00, por pessoa. O atendimento é feito de outubro a março, e você tem mais informações pelo fone 9 9843-8915, com whats.

Balneário do Pola

Essa maravilha fica no Balneário do Pola também. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

É interessante levar: cadeiras de praia, repelente, protetor solar, câmera fotográfica, acessórios e brinquedos. O lugar é próprio para todas as idades, com rio acessível para brincar e muita sombra para descansar. O sinal de telefonia e internet funciona bem – dá para postar selfie de dentro d’água, mas com tanta coisa para aproveitar, o bom é deixar o celular no carro. *Minha dica.

Adeus ao tédio

Na foto, nosso grupo fazia uma das travessias da trilha nas quedas do Conduto. Foto: Ronaldo Siebel/ Jornal Panorama.

Ufa! Pense que, até agora, descrevi apenas o café da manhã. O próximo destino no roteiro foi o Camping Conduto. O local fica na Rua Conduto, nº 1550, é bastante conhecido, e até já foi taxado de ser frequentado por usuários de drogas, algo que os proprietários e comunidade da região têm trabalhado para mudar e desmistificar. Mas, conceitos e preconceitos à parte, o fato é que o camping reúne atividades e ambientes que atendem aos mais diversos objetivos: seja para um dia de sossego, ou um dia de aventura e descobertas em meio à natureza. O destino abriga uma pousada com restaurante, campo de futebol, estacionamento, churrasqueiras ao ar livre e banheiros.

Nós conhecemos a pousada e almoçamos no restaurante. Particularmente, me senti em casa. O lugar é simples, acolhedor e estava bem organizado e limpo. Nada a reclamar. Pelo contrário, pois a vista da sacada dos fundos do prédio mais parece uma pintura, com um paredão de pedra natural juntinho à estrutura. A pousada acomoda 24 pessoas, com atendimento feito mediante reserva. Os quartos têm televisão, ventiladores – até porque a temperatura ambiente dispensa condicionadores de ar – e alguns têm banheiro também. E, para quem não conseguir acomodação, ou preferir uma experiência mais próxima à natureza, não esqueçam que há o camping.

E por falar em camping, que experiência incrível tivemos. Nosso grupo chegou ao local por volta das 9h. Fizemos a trilha até as quedas do Conduto. Um lugar digno de cenas de novela. As quedas d’água e piscinas naturais – ora do Arroio do Tigre, ora do rio Riozinho – parecem joias, escondidas na mata. A caminhada demanda atenção, e para acessar aos pontos turísticos é preciso percorrer alguns trechos, literalmente, dentro d’água. Particularmente descrevendo, a trilha não é algo para fazer com crianças. Mas é possível levar os pequenos no Camping e revezar a supervisão com familiares, para não perder essa aventura. O rio tem partes rasas e outras bem profundas, com correnteza, alguns trechos de areia, outros repletos de rochas e troncos de árvores de todos os tamanhos. É sempre bom respeitar.

A “arquitetura” toda do local é fruto de uma obra de 1944. Um aqueduto com 1800 metros de extensão, construído pelos próprios moradores da região. A construção foi criada com o objetivo de gerar energia para a vila da época e, principalmente, dar força a um moinho – já que a principal atividade econômica da localidade era a agricultura e, sem um moinho, os colonos tinham que transportar toda a produção à Capital. Para dar vida ao aqueduto, os moradores represaram águas de arroios e criaram um sistema de vasos comunicantes. Atualmente o conduto está desativado, em virtude de algumas avarias na estrutura. Mas a engenharia é admirável.

É importante salientar que o Camping Conduto, que integra o roteiro turístico que fizemos, tem acesso ao Parque Municipal do Conduto – que tem entrada aberta ao público pela ERS-239. Portanto, é possível conhecer as quedas sem passar pelo Camping e sem pagar entrada. No entanto, não sei informar qual a condição da estrada, pois só conheço o acesso pela propriedade privada. E, considerando os valores e a comodidade oferecida no Camping, vale a pena investir no roteiro que fizemos. Aliás, desfrutamos de um almoço colonial no restaurante da pousada. Comida caseira, com vista para o verde da mata e água transparentes do rio.

No Camping Conduto, é cobrada uma taxa de R$10,00 que dá direito a desfrutar de toda a estrutura e estacionamento para passar o dia – para quem não entrar com bebidas. Nesse caso, é possível levar comida e lanches, apenas as bebidas são restritas. Mas, para quem optar por levar bebidas também, além da taxa de R$10,00, é cobrado um adicional de R$10,00 por pessoa. Todas as despesas, incluindo às da pousada, podem ser pagas via cartões. Conforme a proprietária, Isanete dos Santos, o Camping também oferece supervisão para passeios a cavalo e outras trilhas fora da propriedade.

Camping Conduto

É interessante levar: cadeiras de praia, repelente, protetor solar, câmera fotográfica, acessórios e brinquedos, boné. O lugar é próprio para todas as idades, com rio acessível para brincar e muita sombra para descansar. O sinal de telefonia e internet também funciona bem. Para quem topar a trilha até as quedas do conduto, a dica é usar roupas leves (biquíni/sunga são uma boa), levar chinelo (e cuidar para não perder na correnteza), boné/chapéu e ter roupas extras para trocar. Nós fizemos o percurso de manhã, a água estava geladinha e eu iniciei o trajeto até de casaquinho.

Fotos: Jéssica Ramos e Ronaldo Siebel/ Jornal Panorama.

Uma tarde para os fortes – com dose extra de cultura

Pousada Nhuu-Porã é encanta os visitantes, desde a entrada. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

O dia foi puxado. Depois do almoço, fomos para outra pousada – o Sítio Nhuu-Porã. É difícil descrever, pois acabamos adjetivando as coisas, conforme nossas preferências e experiências. O fato é que eu já poderia encerrar o roteiro por ali. A pousada fica a 1h de distância da prefeitura de Riozinho. São aproximadamente 30,6 km de estrada de chão – onde a poeira é garantida e é preciso conhecer o carro para encarar a subida. A Nhuu-Porã, que em guarani significa “campo bonito”, é (acredite, ou não) um antigo estábulo transformado. Uma relíquia, eu diria. Os quartos foram adaptados nas antigas baias; na área comum, há poltronas e sofás bem aconchegantes, além de uma lareira que deve ter trabalho o ano todo – já que a temperatura a 800m de altitude é bastante fresca (risos).

As paisagens, que cercam a propriedade, e a vista, que permite observar a cidade e a praia de Tramandaí, são os principais atrativos do local. Conforme o proprietário, Paulo Roberto Fernandes, a pousada acomoda grupos de até 17 pessoas. O atendimento é voltado, preferencialmente para famílias, estudantes e trilheiros. Também é possível contratar dois tipos de serviço: a estadia com refeições inclusas (contratadas com antecedência) ou apenas o local, com acesso à cozinha, louças e equipamentos. Nesse último caso, os viajantes devem levar alimentos, bebidas e o que desejarem consumir. Os valores podem variar conforme o contrato, mas a média para passar um final de semana na pousada – e preparar as próprias refeições – está em torno de R$70,00 por pessoa. No estabelecimento, dificilmente funciona o sinal de telefonia, mas os proprietários já conseguiram internet. Então, é bom conversar sobre. A pousada tem página no Facebook e o contato telefônico é (51) 99710-1705, ou 99692-3320.

Outro fator que faz do Sítio Nhuu-Porã um destino especial é a parceria que Paulo e a esposa Virgínia Koch (bióloga) têm com a Aldeia Campo Molhado – aquela que citei no início da matéria. Os empresários criaram uma relação de amizade, admiração e respeito com os índios e decidiram auxiliá-los guiando grupos de turistas até a aldeia, como forma de fomento do turismo cultural. Paulo diz que acompanha a rotina da tribo e percebe que o turismo pode melhorar a qualidade vida dos índios, facilitando o comércio de artesanato e até servindo como porta para doações de alimentos – segundo ele, sempre bem-vindos. O empresário explicou (e nós testemunhamos) que a aldeia fica muito isolada. As estradas são de difícil acesso, sem contar a distância. Por isso, se torna inviável o trabalho do índio descer para vender e comprar mercadorias, roupas e calçados na cidade. Assim, o turismo serve tanto para os guaranis, quanto para os turistas, que podem fazer uma imersão na cultura indígena tal como ela é na vida real.

Eu e o Ronaldo fizemos o trajeto, entre a pousada e a aldeia, em pouco mais de uma hora. Cerca 8km – puxados por um trator (coragem). Mas o percurso de ida e volta, normalmente, é feito em um dia inteiro, orientado pela esposa de Paulo, que guia os viajantes e apresenta plantas e chás presentes no local. Mas, antes de pôr o pé na estrada, Virgínia e Paulo mostram um vídeo e também falam um pouco sobre a cultura guarani. Assim os visitantes podem imaginar o que vão encontrar no passeio. É uma experiência bastante enriquecedora.

A aldeia é composta por casas, feitas de xaxim – planta muito popular na região – e cobertas de taquara. Os índios são bastante tímidos – as crianças mais novas sequer falam português. Mas recepcionam a todos com carinho e respeito. A entrada na aldeia não é cobrada, mas, devido às dificuldades, a tribo aceita doações de alimentos não perecíveis e roupas – afinal de contas lá em cima é bem frio, inclusive chega a nevar. Eles trabalham com a agricultura e o artesanato. Também têm feito parcerias com outras tribos para garantir o sustento e preservar a cultura do povo.

Confira fotos do trajeto até chegar à Aldeia Campo Molhado:

Fotos: Jéssica Ramos e Ronaldo Siebel/ Jornal Panorama.

Confira fotos da pousada Nhuu-Porã:

Fotos: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Para concluir o roteiro

Nosso grupo concluiu o roteiro na Aldeia Campo Molhado. Mas, dentro do roteiro, ainda existem outros destinos para conhecer, tais como o que confere a seguir. Para conhecer as localidades e estabelecimentos, basta fazer contato com qualquer um dos empreendedores, com a Emater de Riozinho, ou com o setor de Turismo da cidade.

Balneário Alcindo – é opção para acampar e/ou passar o dia, com campo de futebol, vôlei, pracinha, e outros jogos, camping e cabanas mobiliadas, além de serviço de alimentação; As taxas para acampar ou passar o dia variam. O contato é (51) 99929-4582, ou (51) 99585-0529;

Pousada Três Pinheiros –é opção para pernoite, com café da manhã, mediante agendamento prévio. A pousada acomoda 28 pessoas e oferece guia para trilhas locais. É possível encontrar informações no site do estabelecimento e também pelo fone (51) 99818-8153;

Rancho Catuaba – é opção para festas e eventos em geral, para até 120 pessoas; no local há também campo de futebol. O aluguel pode incluir, ou não, alimentação com cardápio à escolha do cliente (coquetel, churrasco, comida colonial). O contrato é feito com agendamento prévio.