Cadeirante pode ficar em pé?, por Cassi Gotlieb

Leia a coluna de Cassiano Gottlieb sobre a acessibilidade.

Cadeirante pode ficar em pé?

“Olhem um impostor, ele fica de pé”

Com alguma frequência circulam imagens em ambientes públicos, de cadeirantes em pé, assistindo eventos em espaços destinados para eles. Qual milagre é esse?

Nosso pais sofre demais com a corrupção e a falta de honestidade que é latente em muitos segmentos da sociedade. No meio da acessibilidade não é diferente. Os “benefícios” oferecidos em relação a espaços físicos e preços mais acessíveis, se não houver uma fiscalização efetiva, podem ser usufruídos por indivíduos que tentam se passar por cidadãos com as necessidades em questão.

Isso contribui para o entendimento colocado inicialmente. Porém, como eu venho afirmando aos amigos leitores desde o início do ano, cadeirante é uma condição em que suas implicações são muito diferentes de pessoa para pessoa.

Tem cadeirante que devido a lesão existente, não possui muitos movimentos, em contrapartida, outros mantem condições excelentes para a prática de muitas atividades. E se firmar de pé é uma delas. Isso não quer dizer que a cadeira seja algo dispensado. Muito pelo contrário. E nisso me incluo.

Não consigo precisar para vocês a causa exata que me impede de caminhar. Não houve essa descoberta. O que posso salientar é que o único movimento que realmente não tenho é o andar. De resto, me desloco de qualquer outra forma, com boa força muscular e resistência, inclusive “ficando em pé” vejam só. Portanto, se algum dia me virem em pé em algum local, não se assustem. É mais comum do que se pensa.

Evidentemente que o “ficar em pé” tende a ser se apoiando em alguma pessoa ou objeto. Mas o que é preciso salientar diante de fatos e situações que nos deparamos no dia a dia, é que cada caso tem a sua peculiaridade.

Partindo desse princípio, não posso terminar essa coluna sem deixar de dizer que no fundo todos os cadeirantes ficam em pé.

Levantar da cadeira é só algo físico. Agora ficar de pé nos sonhos, nas buscas, nas realizações, isso não precisa nem perna.

Basta ter um coração e acima de tudo, muita energia para o que der e vier.

Ótimo mês de junho e até a próxima coluna!

Leia as demais colunas do Cassino Gottlieb