Caitanya, por Luiz Haiml

Leia a coluna do mês do professor Luiz Haiml.

Caitanya

Krsna é Deus. Na crença hindu vaisnava, que se enraíza na antiguíssima cultura védica, chamado também de Suprema Personalidade Divina, diversas vezes Krsna manifestou-se em aspecto humano aqui em nosso planeta. Numa delas foi primeiro Nimai Pandit e após, Caitanya Mahãprabhu.

No ano védico de 1407, que corresponde ao ano cristão de 1486, mês de fevereiro, manifestou-se Ele em Navadvipa (foto), Bengala, Índia. Navadivpa era então o centro da educação e da cultura, e nessa cidade, seu pai humano, Jagannãtha Misra, era um brãhmana (sacerdote) de grande conhecimento.  

Morando próximo ao Ganges (principal rio da Índia), Misra tinha como esposa Sacidevi, filha de outro grande sábio do lugar. Da união de Sacideva e Misra, entre outros filhos, Krsna veio a esse mundo recebendo o nome de Nimai Pandit. Mais tarde, ao aceitar a ordem da vida renunciada, Nimai adotará o nome de Caitanya Mahãprabhu.

Krsna vinha como Nimai/Caitanya para espalhar as bem-aventuranças e o despertar à consciência do Senhor.  Nimai foi uma criança travessa, brincalhona. Aliás, essa é uma caraterística essencial de Krsna, a alegria. Houve um eclipse lunar quando Nimai nasceu, ocorreu bem nas horas em que os hindus costumam se banhar no Ganges, sendo então seu nascimento coroado por toda a Índia com o mantra “Hare Krsna”.

Era costume oferecer moedas e livros aos pequenos recém-nascidos, pois ao escolherem entre um ou outro, se teria alguma ideia do provável caminho que seguiriam. Para Nimai, aos seis meses, colocaram algumas moedas e o “Srimad Bhãgavatam” (O Livro de Deus) que Ele mesmo escrevera em manifestação anterior. Optou, claro, por sua obra. Dizem que cessava o choro ao ouvir cantarem o mantra “Hare Krsna”.

Aos 16 anos, ainda como Nimai, iniciou sua própria catuspãthi (escola de aldeia), onde, surpreendendo a todos por ser tão novo e ter tão imensa sabedoria, ensinava as verdades sobre a Suprema Personalidade de Deus. Após tomar sannyãsa, aos 24 anos, os votos para tornar-se um devoto oficial, recebendo então o nome de Caitanya (foto), saiu em peregrinação, mas fez seu centro de atividades na cidade de Jagannatha Puri.

Antes, porém, ainda como Nimai, foi convocado para enfrentar, numa espécie de “duelo entre sábios”, famoso erudito de outra cidade: Kesava Kasmiri, de Cachemira. Kesava, bem mais velho e considerado suprema autoridade na cultura védica, acabou sendo corrigido em muitos apontamentos, e depois, num sonho, tendo a revelação de que o jovem Nimai era o próprio Krsna, tornou-se um de seus mais fiéis seguidores.

Caitanya ensinava pela Índia, da forma mais acessível possível, não só o conteúdo do “Srimad Bhagavatam”, mas também o “Bhagavad-gita” (Canção da Bem-Aventurança). Várias vezes, durante suas viagens, Caitanya manifestou-se em êxtases. Um dos mais famosos foi no templo da cidade de Jagannatha (foto). Foi um transe inconsciente do qual só veio a sair após longo tempo e durante o qual emanava de si uma inesperada luminosidade.      

Como viera como pregador, e ao mesmo tempo como aprendiz, Nimai/Caitanya, com humildade, ouviu e considerou os ensinamentos de vários homens cultos. Também foi o primeiro a criar um movimento de desobediência civil para uma justa causa na Índia, ao não temer a punição de governo que proibira o movimento sankirtana (o pregar e cantar a palavra do Senhor) e levar uma grande multidão a executá-lo, fazendo com que o governador mudasse de opinião.

Krsna, como Caitanya Mahaprabhu, deixou-nos no período que corresponde ao ano cristão de 1532.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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