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Caso Priscila: perito faz questionamentos na investigação sobre morte da modelo de Parobé

A TV Record divulgou, neste domingo (31), nova reportagem sobre as investigações que envolvem a morte da modelo Priscila Delgado de Bairros, 27 anos, ex-moradora de Parobé. O crime aconteceu no último dia 20 de maio, em São Paulo. Na matéria, veiculada junto ao programa Domingo Espetacular, os pais de Priscila dizem não acreditar na versão do delegado Paulo Bilysnki, 33 anos, de que a modelo atirou contra ele e depois cometeu suicídio. Um perito ouvido pela reportagem da Record também contestou alguns pontos dessa tese, que é considerada na investigação da Polícia Civil.


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Ao reconstituir a trajetória de Priscila, o programa de TV lembra que a modelo começou a se relacionar com Paulo no final do ano passado, através de mensagens na internet. Os dois só se conheceram, no entanto, em 29 de fevereiro deste ano, numa viagem de Paulo até Cascavel (PR). Em abril, os dois passaram a morar juntos em São Paulo e tinham marcado casamento para o dia 5 de junho.


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O pai de Priscila contou que a filha estava esperançosa, largou os estudos para morar com o delegado. A família disse que, pelos contatos com a modelo, via uma Priscila feliz. A advogada de Paulo, porém, afirmou à Polícia Civil que encontrou, no apartamento, uma receita em nome da modelo e remédios provavelmente para depressão. O advogado José Roberto Rosa, que representa a família de Priscila no inquérito, contesta a informação e diz que os parentes dela não tinham conhecimento a respeito.

Reportagem da TV Record utilizou coluna do Jornal Panorama para contextualizar perfil de Priscila Delgado de Bairros.

Ainda ao contextualizar a vida de Priscila, a Record se apoiou em um texto veiculado no Jornal Panorama em 14 de maio de 2010. Trata-se da coluna ‘Perfil’, publicada pelo veículo com pessoas da região, e que, naquela ocasião, entrevistou Priscila por ocasião de sua eleição como rainha do 13º Festejando Parobé. A reportagem da Record destacou apenas o trecho em que a modelo citou que, desde pequena, via reportagens sobre o treinamento dos policiais, ao responder ao questionamento sobre cuidado especial com a parte física e mental. A emissora ainda mencionou outra resposta de Priscila, em que disse ter como defeitos ser orgulhosa e ciumenta. À época, a modelo possuía 17 anos. Organizador do concurso, Éder Forsin disse ao ‘Domingo Espetacular’ que Priscila era uma menina simpática, cautelosa e de postura impecável.

A Record ainda levantou questões referentes à vida de Paulo. Mencionou que o delegado possui quase meio milhão de seguidores nas redes sociais e costuma postar fotos e memes com armas. A Corregedoria da Polícia Civil apura se o delegado utiliza o nome da corporação para se promover, mas este inquérito está em fase preliminar. O delegado também foi investigado por capotar um carro quando trabalhava no Departamento de Polícia Judiciária e suspeito de falsificar o depoimento de um policial militar, mas, segundo a Secretaria de Segurança Polícia (SSP) de São Paulo, absolvido nestes dois casos.

Em maio, quando já morava com Priscila, o delegado postou mensagens mencionadas pela reportagem como “enigmáticas”. Disse, por exemplo: “O que mulher faz além de iludir?” e “Vou dormir, me acordem quando as mulheres tiverem coração”. Em depoimento à Polícia Civil, uma ex-namorada de Paulo disse que ele estava preocupado. Ela forneceu cópias de mensagens trocadas com o delegado no dia anterior ao tiroteio no apartamento. Nessas conversas, Bilynski diz que terminou o relacionamento com Priscila e afirma que está com medo, em função de que a modelo estaria muito nervosa. Primeiro, discute que Priscila seria encaminhada para um hotel, mas depois afirma que vai dormir no quarto de hóspedes e que as armas que possui no apartamento estariam com ele. No dia seguinte à conversa, segundo a versão de Paulo, ele foi tomar banho e acabou surpreendido pela namorada com tiros ao sair do banheiro.

Uma testemunha do prédio disse à TV Record, sem se identificar, que não ouviu barulho de briga. Contou, apenas, que escutou o som dos disparos pela manhã e, ainda, a voz de Paulo apavorado e gritando “não” algumas vezes. Paulo correu à porta desta testemunha para pedir socorro. Segundo as informações, mesmo ferido, o delegado conseguiu sair do apartamento e solicitar apoio aos vizinhos, que acionaram a polícia.

Na investigação, o exame residuográfico deu positivo para a presença de pólvora nas mãos de Priscila. O mesmo exame foi feito no delegado, mas no dia seguinte ao caso. A Polícia Civil trata o caso em sigilo. O delegado Ronaldo Tossuniam disse que a corporação trabalha com essa hipótese, não fechada, de que houve uma tentativa de homicídio contra Paulo seguida do suicídio de Priscila. “O número de ferimentos que o Dr. Paulo recebeu, de tiros que ele recebeu, deu a entender que não se tratava de uma autolesão”, disse o policial.

Em contrapartida, essa posição é rebatida pelo advogado da família de Priscila. “A minha tese é de que houve luta. A Priscila até pode ter disparado, mas aquela cena sugere que ele a desarmou e a matou. Se no dia anterior, numa conversa com a ex-namorada, ele já dizia que queria se livrar de Priscila, que estava com medo de Priscila, e que existiam armas dentro do apartamento, ele vai tomar banho, com o banheiro aberto, com a Priscila dentro do apartamento e com as armas acessíveis a ela?”, questiona o advogado, sobre este ponto da investigação.

A promotora de Justiça Thelma Cavarzere disse que a Polícia Civil está agindo de forma correta nas investigações do caso e que as famílias têm o direito de saber o que ocorreu no apartamento. “Quero tranquilizar a todos dizendo, garantindo, que o trabalho da polícia está sendo bem feito e o trabalho do Ministério Público será bem feito, e que a opinião pública aguarde um pouco, estamos em busca da verdade real”, afirmou.

Por fim, a Record pediu a opinião de um perito independente sobre o caso. Eduardo Illanos, formado pela polícia do Chile, analisou as fotos e informações do inquérito e levantou alguns questionamentos, a começar pela falta de exame residuográfico no delegado, uma vez que este procedimento só foi efetuado no dia seguinte. Já para o exame que deu positivo nas mãos de Priscila, o perito afirma que não seria uma prova de que ela efetuou os disparos, levantando a hipótese de que, quando a arma foi posicionada em seu peito, ela também colocou as mãos na arma no intuito de se defender. Outro ponto levantado pelo perito é o som provocado pela arma na sua preparação. “Seria praticamente impossível o delegado não ouvir que a Priscila estaria carregando uma arma, pelo baruho da arma. E um policial, quando escuta esse barulho, é instantâneo sua atenção”, afirmou. Um terceiro elemento levantado pelo perito é que a arma foi encontrada no local do crime sem o carregador e não haveria tempo hábil de uma pessoa que deu um tiro em si própria de conseguir retirar esse dispositivo.

Assista a íntegra da matéria da RecordTV sobre o caso Priscila: