OPINIÃO

Computadores de Placa Única, uma revolução que cabe no bolso, por Guilherme Schirmer da Costa

Leia o artigo do Guilherme Schirmer da Costa, com novidades sobre tecnologia.

 

Computadores de Placa Única, uma revolução que cabe no bolso

No início dos anos 2000 uma onda de computadores portáteis com finalidades educacionais se espalhou pelo mundo. No Brasil, o Programa Um Computador por Aluno (PROUCA) foi levado a várias escolas públicas mas, acabou estagnando e sumindo aos poucos, em parte pela burocracia, parte por problemas com a manutenção e defasagem do equipamento. A moda passou com o advento dos smartphones e tablets, mas a ideia de levar computadores baratos para a escola segue até hoje.

Computadores de qualidade custando US$100 eram o sonho de pesquisadores, professores e políticos, porém a produção sempre foi custosa, a distribuição complexa, elevando o valor final dos computadores. Como resultado, muitos desses computadores tiveram suas configurações pioradas e muitos foram entregues com acabamento de péssima qualidade.

Uma solução viável foi integrar todos os componentes em uma só placa, mas separar os periféricos de entrada e saída (teclado, monitor, touchpad etc…), reduzindo ao máximo o preço do que realmente importa em um computador. Com esse pensamento, a Raspberry Pi Foundation criou o Raspberry Pi, um computador de placa única que custa menos de US$ 40. O objetivo da Raspberry Pi Foundation é ampliar o estudo de computação para o máximo de crianças possível, ensinando programação, engenharia elétrica, robótica e áreas correlatas. E o resultado superou as expectativas, após 6 anos, a fundação deve completar 20 milhões de computadores vendidos até o final desse ano. Ótimo resultado para uma fundação que até pouco tempo produzia todas as placas em uma fábrica no interior do País de Gales, Reino Unido. Atualmente a área de computadores de placa única está em ascensão, tanto na produção de hardware quanto de software.

Além da Raspberry Pi Foundation, diversas outras versões de computadores de placa única estão no mercado variando de tamanho, componentes inclusos e sistema operacional embarcado. Por exemplo, o Asus Tinker Board apresenta um hardware semelhante a última versão do Raspberry Pi, mas é compatível com televisores 4K. Obviamente, o público-alvo de cada fabricante varia bastante, passando de jovens em idade escolar até fabricantes de hardware diverso. Computadores de placa única ao lado de placas controladoras baratas, impressoras 3D e IOT (Internet Of Things, conceito onde qualquer objeto pode ter conexão com a internet) tem puxado a cultura Maker, inventores amadores, que muitas vezes se tornam profissionais criando um produto inovador. Isso pode ser notado no número de novas startups cujo produto é um hardware e não software ou serviço. Produtos antes visualizados apenas em histórias de ficção científica como robôs de todos os tipos e tamanhos até guarda-roupas inteligentes que indicam qual a roupa utilizar conforme o clima local, são criados diariamente graças aos computadores de placa única.

Infelizmente, no Brasil ainda não ocorreu o lançamento oficial de nenhum computador em placa única, embora não seja difícil de achar algum modelo em lojas de componentes eletrônicos. Uma pena, já que poderiam ajudar a revolucionar a educação no país.

 

Guilherme Schirmer da Costa
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