Comunicação é tudo, por Plínio Zíngano

Leia a coluna “Penso, Logo Insisto”, assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – Quando lhe sugerem esquecer velhos ranços políticos, estão, apenas, querendo que você tenha novos ranços políticos. Seis por meia dúzia!

Comunicação é tudo

Escrevo meu texto enquanto as emissoras da televisão aberta deitam e rolam no noticiário a respeito do Gugu Liberato, falecido na semana passada. Principalmente, é bem óbvio, a TV Record, empresa à qual o apresentador estava vinculado atualmente. Como já escrevi, tenho pouca simpatia pela atividade cênica. Por “atividade cênica” quero me referir a todo o conjunto de ações que pressuponham ator, diretor, desfiles, canções, danças, discursos, ou seja, treinamento e posterior mostra aos assistentes. Em suma, não me atraem as apresentações com plateia. Isto, absolutamente, não significa desprezo por quem labuta na área. É, mais ou menos, aquilo definido por “cada macaco no seu galho”. Devo admitir, entretanto, há uma apresentação pública com a qual me identifico bastante, e, essa, é a exceção à regra: chama-se “aula”. Sim, é uma classificação em causa própria. Tenho, cá, minhas idiossincrasias. Aulas também necessitam roteiro, preparação e ensaio. O professor desempenha uma espécie de one man show, para uma plateia, quase sempre, desligada do artista. O apresentador precisa encontrar o anzol certo e fisgar o auditório.

Voltando ao Gugu, é preciso reconhecer sua competência criador e condutor de programas televisivos. Podemos dizer: o cara conhecia suas obrigações no xoubiz. Pense, rapidamente, em quantos profissionais da telinha foram lançados por ele no mercado. Quantos desses apadrinhados, num gesto louvável, compareceram à homenagem de despedida a quem, um dia, lhes deu o empurrãozinho para a fama nas já citadas artes cênicas. Mesmo aqueles mais insensíveis pensaram: “ainda há amizade!”.

Porém – vejam, aqui, um insensível falando – pareceu-me que as coisas fugiram um pouco do controle. Gugu deu força a muita gente. Alguns atingiram o estrelato, outros nem tanto, como é lógico. Mesmo o pessoal do lado B (usando um jargão típico do mundo artístico), gente já um tanto afastada dos holofotes mais luminosos, mas necessitada da exposição ao público, visando aos seus contratos artísticos, apanhou a triste deixa do destino e aproveitou para reaparecer. Assim, atingiram um duplo objetivo: homenagearam o amigo e voltaram à mídia. Mas a grande beneficiária foi a TV Record, que ficou, praticamente, on line desde a confirmação da morte do seu ilustre funcionário. Não consigo esquecer as vantagens comerciais advindas dessa transmissão. Comunicação é tudo!

Por fim, o respeitável público… Selfies junto ao caixão? Isso foi demais!

Por Plínio Dias Zíngano
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