Controle da informação, por Plínio Zíngano

Penso, logo insisto

Leia a coluna “Penso, Logo Insisto”, assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – É constrangedor, quando, na citação nominal de participantes dum evento, somos nomeados, implicitamente, no “entre outros”. Melhor não!

CONTROLE DA INFORMAÇÃO

            Vivemos sob uma cachoeira de informações (eu iria escrever “catadupa”, em vez de “cachoeira”, pois é uma referência mais literária, mas me contive; pra que complicar?, pensei). É impossível um vivente passar por ela sem se molhar. Quando digo “informações”, quero me referir a toda a comunicação chegada aos nossos sentidos. Desde as conversas do dia a dia, mesmo as mais corriqueiras, daquelas trocadas à mesa do café da manhã antes de sairmos de casa, até as mais formais, que nos atingem pelos meios de comunicação convencionais, as famosas mídias (jornal, revista, rádio, televisão), agora acrescidas de um modelo híbrido, juntando o corriqueiro ao convencional (vocês sabem, o Facebook, o Twitter, o Instagram, essas coisas).

            Segundo minhas convicções, conviver com esta nova realidade estava exigindo uma postura mais definida de minha parte. Anotem: de minha parte. Não tenho qualquer projeto de ampliar meu grupo de amigos ou, mais pretensiosamente, de seguidores (se é que tenha alguém englobado nesta classificação). A comunicação sempre visou, em última análise, a conquistar seguidores. É o famoso “ide e fazei adeptos”, lá da Bíblia. No fundo, no fundo, todos querem clientes para suas ideias. A propaganda faz isso a serviço de indústrias e comércios; o discurso político faz o mesmo com ideologias; os times de futebol fazem igual na conquista de associados pagantes de mensalidades. Ninguém escapa!

            Dentro desta ótica, decidi radicalizar. Resolvi adotar o malfadado projeto do Partido dos Trabalhadores e pôr em prática o Controle Social da Mídia. Mas, enquanto aquele é um disfarce da censura, tão ao gosto de governantes pouco democráticos, no meu, fiz uma pequena alteração, porém fundamental, e pus em prática o Controle Pessoal da Mídia. Todas as informações processadas por mim permanecem como acervo pessoal. Não as repasso a ninguém. Pelo menos não no sentido de agregar adeptos. Minhas ideias podem circular como tema de conversação num espaço muito restrito; nunca de pregação.

            Olhando bem atentamente, a pregação acontece a todo instante em todo o lugar. Pouco importa o tema. Religiões, clubes esportivos ou culturais, comentários políticos, comportamentos, tratamentos médicos mágicos, artes, etc., tudo está sob algum comando – pessoas ou crenças – tentando cooptar você. Ao decidirmos negar feed back às palavras desses chefes, eles perdem sua força e se tornam, apenas, Brancaleone e seu exército.

            Finalmente, se alguém contrapuser que “assim, você não mais terá assuntos de conversação”, eu contracontraporei (esta, acabei de criar): e os tais líderes?, eles falam outras coisas além das suas ladainhas?

Por Plínio Dias Zíngano
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