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Cremers abre sindicância para apurar afastamento de médicos no Hospital de Taquara

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) confirmou, nesta sexta-feira, a abertura de uma sindicância para apurar o afastamento de médicos do Hospital Bom Jesus, de Taquara. A informação foi prestada pelo presidente do órgão, Fernando Weber Matos, em entrevista ao Jornal Panorama. Segundo ele, o objetivo é averiguar toda a questão legal deste afastamento. Matos disse que uma reunião em Taquara deverá ser realizada, na metade da próxima semana, a fim de discutir este assunto junto com o Ministério Público.


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De acordo com Matos, o Cremers já acompanha a situação do Hospital de Taquara há alguns meses. Tanto que fez vistoria e, inclusive, aprovou relatório concedendo prazo para adequações ao hospital, inclusive dando ciência dos apontamentos à Promotoria. O presidente disse que o Conselho examinou, a pedido do Sindicato Médico, o movimento de paralisação dos médicos, e chancelou que a greve estava seguindo as questões éticas.


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Por isso, segundo ele, o Conselho foi surpreendido pela demissão de médicos que estavam paralisados por parte do diretor-técnico do Hospital, ocorrida nesta quinta-feira. Segundo ele, este afastamento geraria uma infração ao Código de Ética Médica por parte do diretor técnico, uma vez que os médicos estaria protegidos pela chancela do movimento de paralisação. Além disso, os profissionais que assumiram na casa de saúde também podem, segundo Matos, estar infringindo a ética médica. Outro fato que chamou a atenção do Conselho é que, na noite desta quinta-feira, dois profissionais que foram afastados tiveram que fazer cirurgias no Hospital, uma vez que, segundo os relatos, os médicos contratados pelo hospital não estavam disponíveis.

Quanto ao pedido dos médicos, anunciado nesta quinta-feira em entrevista ao Jornal Panorama, de que o Conselho faça a interdição ética do exercício da medicina, o presidente do Cremers disse que os profissionais devem fazer relatórios detalhados a respeito para que o órgão possa tomar as medidas mais adequadas. Segundo Matos, o Cremers já fez reuniões com a administração de Taquara e membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e está avaliando a questão de forma ponderada, pensando em assegurar o atendimento à população, especialmente no momento de crise. “É importante que o bom senso volte a reinar. Que o diretor técnico comece a pensar como médico, que os médicos também pensem como médicos, deixando qualquer animosidade de lado, pensando em bom atendimento à população”, acrescentou Matos, reforçando às partes que existem leis que regulam as questões de trabalho.

Sindicato orienta médicos a registrarem ocorrência policial
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) tem orientado os profissionais afastados do Hospital Bom Jesus a registrarem ocorrência policial no caso de serem impedidos de atender pacientes. A informação foi prestada por Gisele Lobato, diretora do Simers, em entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, nesta sexta-feira. Segundo ela, a orientação é de que cada vez que um médico for impedido de fazer o atendimento, se dirija à Delegacia de Polícia e comunique o fato, dizendo que, apesar de estar disponível, está sendo impedido. Com isso, a responsabilidade deixaria de ser do médico e passaria ao gestor do hospital. A segunda atitude do Simers será uma reunião em Taquara, na próxima semana, com a presença do Cremers. Conforme Gisele, a ideia é resolver, com o Ministério Público, definitivamente a questão do hospital de Taquara.

Diretor técnico diz que afastamentos ocorreram devido à questões de atendimento
A reportagem do Panorama também entrevistou o diretor técnico do Hospital, Carlos Henrique Bauermann. Sobre a sindicância aberta pelo Cremers, disse que apresentará a defesa, junto com o ISEV, e tem todas as provas em relação à sua atuação. Segundo Bauermann, a demissão dos médicos ocorreu por conta de várias questões, dentre elas o não cumprimento da assistência básica de urgência e emergência. “A questão técnica não estava adequada à realidade”, comentou.

Segundo Bauermnan, todo o tema é complexo e envolve questões políticas, de médicos que não querem o ISEV na gestão do hospital. Mas, o diretor reforçou que foi necessária a tomada de medidas mais drásticas para manter a assistência à população.

Quanto à cirurgia que aconteceu na noite desta quinta-feira, feita por dois médicos afastados, Bauermann afirmou que o procedimento não teve autorização da direção do hospital. Acrescentou que os médicos contratados estavam de plantão e, para tanto, foi registrado um boletim de ocorrência com declaração destes profissionais atestando isso. Para Bauermann, se tratou de uma armação com a intenção de afirmar que o hospital não estaria funcionando.