Dançarino criado em Igrejinha passa em seletiva para o Cirque du Soleil


Conhecimento em dança contemporânea e break ajudaram no teste para a companhia canadense


Os passos no break, iniciados há aproximadamente dez anos, levaram o dançarino Ru­bens Tavares Borba, 28 anos, popularmente conheci­do como Binho, a participar de uma audição para o Cirque du Soleil, em agosto, em São Paulo. As habili­dades e o potencial artístico chamaram a atenção dos jurados pela criatividade e personalidade.

Binho se aventura em novos projetos na capital. Foto: Cristiano Vargas

A inscrição de Binho no casting para o Soleil acon­teceu com o incentivo de amigos. Após enviar fotos e vídeos de apresentações dele, em um processo que reuniu mais de 250 interessados, o dançarino foi um dos 70 selecionados de todo o país para a audição presencial, nos dias 26 e 27 de agosto, em São Pau­lo. Os dois dias de avaliação foram marcados por tes­tes em grupos e individuais. Em suas apresentações, executou passos de dança contemporânea e break, no que considera, brincando, de “uma mistura meio doida”. “Eles estavam mais interessados em nos ver dançando livremente do que coreografados”, relem­bra. O improviso foi positivo, e o deixou dentre os 23 aprovados.

A vivência agregada em mais de mais de dez anos de break lhe deu segurança para arriscar nas apresen­tações. “Primeiro, não acreditei. Fiquei eufórico, avi­sei a família”, conta, dizendo que a “ficha ainda não caiu” sobre a aprovação no processo.

Apesar da seleção criteriosa, ainda não foi definido o trabalho para o qual será alocado. De acordo com informações da companhia, os dançarinos serão con­tratados quando iniciar a montagem de novas tem­poradas de espetáculos. Os artistas também ficam à disposição no banco de talentos do circo.

 

Danças e mudanças

dança iniciou ainda na infância na vida de Binho. Com um vizinho, aprendeu a jogar capoeira. Sempre muito curioso e cheio de energia, conta que participou de grupos de acrobacias, Hip Hop, workshops. Aos 18 anos, conheceu o break, e aí não parou, com competições pelo estado e em São Paulo. Os primeiros passos foram na Praça Dona Luísa, no Centro de Igrejinha. Em 2015, ficou vice-campeão do B. Boys na Peleia, evento que integra a Semana Municipal do Hip Hop de Porto Alegre. Neste ano, ele trocou de papel, foi um dos três avaliadores das batalhas que teve cobertura da RBS TV.

Praça Dona Luísa foi o palco dos primeiros passos no break. Foto: Cristiano Vargas

O trabalho em Igrejinha, onde morou praticamente toda a vida, no Bairro Figueiras, após os primeiros meses de vida em Santa Catari­na, também foi desenvolvido com adolescentes acolhidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Lá, realizou oficinas de danças urbanas durante um ano. No muni­cípio, trabalhou como industriário, auxiliar de construção, mas o coração sempre bateu forte pela dança.

Dois anos atrás, fez amizades em Porto Alegre, que o incentivaram a partir para a capital. Com a mudança, deixou para trás os amigos e familia­res, mas seguiu em busca de novas oportunidades. Atualmente, participa da companhia Organização Detalhe, com o espetáculo de dança Retalhos, em cartaz na sala Álvaro Moreyra, no Teatro Renascença, nos dias 25 e 26 de novembro. O show teve estreia em outubro, em Florianópolis, no Teatro Álvaro de Carvalho. A apresentação tem apelo visual usado para construir a história, adotando a imagem e a música como elementos principais da montagem.

O apoio da família para que Binho persistisse nos sonhos também foi significativo. Os irmãos, inclusive, também tiveram experiências com a dança, mas seguiram outros cami­nhos. “Não consigo me separar da dança, é uma coisa só. Eu não sou apenas um dançarino, sou a dança. Mesmo andando na rua, sempre estou dançando”, elucida ele, que diz nunca parar, mas sempre à procura de novas parcerias e amizades.

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