De carrinhos, buracos e cadeirantes, por Inge Dienstmann

Leia a coluna da jornalista Inge Dienstmann sobre questões urbanas observadas no dia a dia em Taquara.

De carrinhos, buracos e cadeirantes

Já por muitas vezes me indignei com carrinhos de mercado largados pelas ruas da cidade. Eu mesma já me vali do recurso de levar o carrinho comigo até em casa, quando vou ao mercado com a intenção de comprar dois ou três artigos e acabo fazendo um pequeno rancho. No entanto, sempre que o fiz, tratei de devolver o carrinho novamente dentro da loja, onde o peguei. Está certo que tenho a facilidade de morar perto do mercado, mas é a tal coisa: o sacrifício tem que ser do tamanho do benefício. Quem mora a quadras de distância precisa fazer um esforço maior, e devolver também, ou que não use.  Também já dei carona a carrinhos que encontrei abandonados no meu caminho, e os deixei no estacionamento do mercado. E não acho que eu esteja, com isso, fazendo um ato supremo. Tudo uma questão de bom senso, de espírito colaborativo… mas dá uma ganinha de quem não teve o espírito coletivo de devolver o que usou.

Enxergar um palmo à frente também parece ser uma coisa que exige muito além da capacidade de algumas pessoas. Outro dia vi um buraco já antigo ser enfim coberto, não com o paralelepípedo devido, mas pelo menos tapado com algum material arenoso, solução que não resiste à primeira chuva, mas, melhor que nada. Certamente a medida foi adotada depois que muita gente reclamou de estar danificando o carro ao passar no local. O que me chamou a atenção é que, poucos metros adiante, uma outra cratera se impõe aos motoristas, e ela foi solenemente ignorada, mostrando que não há um encadeamento de ações para otimizar o trabalho e os recursos.

E, para finalizar, desejo dar um testemunho sobre acidentes que têm ocorrido com cadeirantes, devido às más condições das calçadas e principalmente pela inadequação das rampas de acesso. Sei de pelo menos duas pessoas que sofreram este tipo de acidente, uma delas inclusive em duas ocasiões. São cadeirantes que insistem em ter uma certa independência, ao invés de se entregarem ao conformismo frustrante de sempre depender de outras pessoas. É o mínimo direito que lhes deveria ser assegurado, mas que as rampas precárias e íngremes tornam uma ousadia arriscada e dispendiosa, pois, além de se ferirem na queda, os cadeirantes que tombam costumam ter prejuízos materiais com danos no equipamento que utilizam.

Existem coisas básicas, que, quando bem feitas, nos trazem um alento inegável. Outro dia, trafegando pela nossa Sebastião Amoretti, tive uma sensação muito boa ao ver a grama do canteiro central bem aparada, alguns trechos humanizados com plantas e flores colocadas pela iniciativa privada… Um básico que nos faz bem aos sentidos, ao humor nosso de cada dia. Mas, observem bem: o canteiro central da Amoretti está cada vez mais sendo invadido por placas de propaganda, uma prática que polui, desvia a atenção dos motoristas e, imagino, esteja sendo feita de forma irregular. Se alguns podem, todos poderiam. Então imaginem se a moda das placas pegar pra valer!

Inge Dienstmann
Jornalista, de Taquara
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