OPINIÃO

Deficientes de avaliação, por Cassi Gotlieb

Leia a coluna de Cassiano Gottlieb sobre a acessibilidade.

Deficientes de avaliação

Na coluna anterior, o meu objetivo foi tentar entender o que é acessibilidade. Continuaremos a busca por essa resposta. Ainda vai ser falado muito sobre isso. E o termo deficiência?

Existem datas durante o ano, que são dedicadas para pessoas com “deficiência”. Dias que são promovidos com a melhor das intenções. Não entro no mérito da necessidade de existir essas datas. Possuem importância, objetivam romper preconceitos e barreiras, homenageando o grupo de indivíduos rotulados pela sociedade dessa maneira. Sabemos que ainda existe preconceito, falta de conhecimento sobre o assunto. As leis ajudam, porém não instruem, nem educam. Mas se me permitem, quero dar o sentimento pessoal em relação a isso:

Tenho total aversão ao termo deficiência. E por consequência, com as datas que mencionam ela. Não existe um dia comemorativo para as pessoas que são consideradas “não deficientes”, então qual a necessidade de ter para as pessoas que são? Que diferença elas possuem para serem “especiais” em relação a todo o resto?

Quem requer necessidades específicas, não precisa data. Precisa ações, condições de exercer qualquer atividade, sem que a “deficiência” prejudique.

Me soa agressivo dizer que outro indivíduo tem deficiência. Deficiente é sinônimo de incapaz para algo. E onde pessoas com necessidades específicas, não podem desempenhar tão bem, qualquer atividade que seja, da mesma forma que as demais?

Nenhum ser humano é igual ao outro. Cada um desenvolve habilidades especificas. E dificuldades também. Alguns impedimentos vão tornar determinada atividade mais complicada, porém, existirá facilidades para outras. Uma defecção irá potencializar uma habilidade.

E isso ocorre em qualquer contexto de pessoas. Seja com dificuldades físicas, motoras, intelectuais, ou até de inibição. O momento que se coloca algo em um pedestal, tentando proteger mais, tornar diferente, mexe com sentimentos e brios. Estamos falando de vidas, emoções. Isso não une. Muito pelo contrário. Aumenta uma distância de mundos que não existe. Todos pertencem ao mesmo.

Enquanto continuarem fazendo matérias emotivas, para despertar “pena”, as diferenças permanecerão. E isso vale para tudo na vida.

Se fosse alguém sem nenhuma necessidade específica, a escrever esse texto, certamente seria mal compreendido por muitos segmentos. Mas quando é um próprio cadeirante que reclama dessa diferenciação? É de se pensar.

Evidente que é um assunto complexo, certamente existem bons argumentos contrários, inclusive por portadores de “necessidades especificas”. Mas lembram da nossa conversa sobre acessibilidade?

Não é nada mais do que oferecer condições iguais para o desenvolvimento de uma ação ou habilidade? Sendo assim, o mérito por sua conclusão é igual para todas as pessoas. Quando houver o entendimento de que a inclusão só é necessária, porque antes é feita uma separação, a acessibilidade será um dos assuntos mais avançados do nosso país.

Grande abraço e até o próximo mês.

Por Cassiano Gottlieb

Publicitário, de Taquara