Dois indianas mirins, por Rui Fischer

Leia artigo do taquarense Rui Fischer sobre o cotidiano do município.

Dois indianas mirins

Eu e o Alexio Fröhlich (o Leko da Tio Patinhas) somos amigos desde a infância. Quando a minha família veio de muda de Padilha para Taquara, em janeiro de 1957, eu tinha entre seis e sete anos, fomos vizinhos de fundos do seu Nilo e d. Jurema e seus filhos, entre os quais, o Leko, cujo mesmo era (ou é) um pouco mais novo que eu – tipo 2/3 anos. Desde aquela época sempre fomos grandes amigos, inclusive de escola (Rodolpho e após no noturno [ginásio] do CNEC). Éramos aquilo (..!) e as cuecas.

E, como grandes amigos, também tivemos algumas “aventuras mirins”, tais como as que descrevo a seguir: já por volta de 12/13 anos, inventamos de “explorar” o Arroio Taquara, cujo mesmo nada é mais do que um prolongamento do Arroio Santa Rosa, ele apenas muda de nome quando, após a Sebastião Amoretti, atinge a parte íntima da cidade. Antigamente o nosso arroio era chamado de Valão, inclusive em dias de chuvarada do tipo tropical (de verão) o “valão enchia e, na altura do fim da Rua 17 de Junho (fundos da Rádio Taquara), com o leito mais cheio, costumávamos tomar banho – “emendando” com as brincadeiras nas sarjetas alagadas, o único problema era o forte cheiro de de óleos, graxas, etc., vindos do Posto Atlantic da Lucipa. Mas, o que quero narrar é que eu e o Leko inventamos de entrar no arroio logo após a antiga Lucipa, com o intuito de irmos até lá próximo do encontro com o Rio Paranhana. Pois bem, “armados” de um archote improvisado feito de um pedaço de cabo de vassoura e uns panos encharcados com um inflamável amarrados (com arame fino) na ponta, embarcamos na nossa aventura à la Indiana Jones. Logo no início o leito do arroio era a céu aberto, com luz natural, portanto sem a necessidade da luz artificial – que ninguém é bobo, né! Logo ao passar pela Bento Gonçalves o arroio, já nas entranhas da cidade , era canalizado e, com o archote já aceso, daí o nosso prazer era espiar as ruas do centro, através dos bueiros (bocas de lobo) e “tirar” os transeuntes pra bobo. Mas, o que mais nos espantou, era quando o leito fazia uma dobra( esquina), meu Deus..! quanta sujeira entalada em um tipo de dragagem natural – era pau, pedaços de madeira, e eté sofás- tudo ficava por ali, daí dá para se ter uma ideia do porquê das enchentes em nossa cidade (esta foi uma das coisas úteis da nossa aventura; essa descoberta).

Quando chegamos no fim da Rua Guilherme Lahm, quando o arroio voltava a céu aberto, achamos que a nossa aventura chegara ao fim e resolvemos “parar por aí”, satisfeitos. Porém, a dupla de Indianas nunca ficava satisfeito em se aventurar com “pouca coisa”. Certa vez, antes do fato anterior, nós dois resolvemos ir de bicicleta à Igrejinha, com um detalhe: só tínhamos uma bike e daí (..?), daí que um de nós tinha que ir na carona do outro, porém, sem porta-sacolas! Tivemos que nos revesar sempre com um “sentado no ferro” e, para piorar, o Leko inventou de levar o seu cachorro, o Lobo, uma mistura de policial com pastor, na verdade era um SRD (Sem Raça Definida, risos).

Outro detalhe: ao invés de pegarmos a Estrada Velha, fomos pelos trilhos da antiga estrada de ferro que ligava Taquara a Gramado e Canela – ainda não havia sequer um esboço da atual RS-115. Na volta, pelo mesmo trajeto, e “cagados de medo da surra em casa”, eis que saímos às 09:00 horas de casa e voltamos só lá pelas quatro da tarde (já que éramos piás com pouca idade na época, sem nenhum sentido de responsabilidade) e, com um agravante: perdemos o Lobo, amigão do Leko, cujo mesmo “está perdido” até hoje…coitado! Ah, esqueci de dizer: o nosso “almoço” foi roubado de bergamoteiras e laranjeiras da beira da estrada. Que figurinhas! PS: a nossa bela amizade perdura até hoje, nunca tivemos motivo qualquer de nos encrencarmos, gerando motivo para desfazê-la. Ah, só teve um problema: nunca consegui jogar e ganhar na mega-sena, apostando na Lotérica Tio Patinhas – brincadeirinha, Leko! Talvez, numa raspadinha (risos).

Rui Fischer
Aposentado de Taquara

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