… e os novinhos


Com freqüência inspiro minha coluna no que escrevem meus companheiros colunistas, porque seus artigos, geralmente,..


Com freqüência inspiro minha coluna no que escrevem meus companheiros colunistas, porque seus artigos, geralmente, passam por mim antes de serem publicados, e muitas vezes ainda não elaborei meu próprio texto. Aí procuro uma derivação…
Pois a Érica Ostrowski escreveu com muita propriedade sobre “as coroas”, e eu achei que deveria contemplar também um fenômeno que ocorre com “os novinhos”.
Percebo com certa admiração, e até uma pontada de inveja, a corajosa decisão de muitos jovens de optarem por não querer para suas vidas as fórmulas que seus pais adotaram. Ao não desejarem ser escravos do trabalho, apregoam uma vida mais leve, sem tanto compromisso com profissão e ganho de vida. Também não querem ser “escravos de ninguém”, os normalmente incompreendidos patrões, que tanto exigem resultado, comprometimento, cumprimento de tarefas e horários.
Ah! Esta leveza de ver as coisas me encanta! Mas não me sustenta! E não ajuda os pais desta juventude dita light a pagaram faculdade, boas roupas, comida, muitas vezes carro – por que andar a pé, amor, é lenha!
Confesso que em alguns momentos me encanto por este discurso do descompromisso com as imposições da sociedade moderna. Mas a questão é que normalmente não há coerência entre discurso e prática. Quem apregoa uma vida mais “zen” precisa assimilar que terá que abrir mão dos encantos da sociedade moderna, já que rejeita o preço que é necessário pagar por estes atrativos: emprego com deveres bem definidos a cumprir e expectativa de contribuição com as metas.
Lá na outra ponta, vou dizer que admiro pessoas maduras que, já tendo dado muito duro e formado uma base financeira suficiente para o limiar da vida, assumem a coragem de abdicar de uma vida profissional agitada para abrir espaço ao ócio. Para isto, às vezes é preciso ter coragem de abandonar um amor da vida toda, ou seja, o prazer e realização que a atividade profissional oferece a quem faz o que gosta. Não é fácil, mas é justo e merecido, e não deve causar remorso nem sensação de fracasso. E se não provocar dano a ninguém, que venham os anos dourados o mais rápido possível, porque o amanhã…

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