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Editorial: Precisamos reagir, Taquara! Precisamos de hospital!

Há mais de 15 anos, desde que eclodiu uma crise com o antigo Hospital de Caridade, um assunto não sai da pauta permanente do Jornal Panorama: as graves condições que envolvem a casa de saúde. Desde então, já passou pelo comando do hospital o Sistema de Saúde Mãe de Deus, o Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) e agora está deixando a gestão a Associação Beneficente Silvio Scopel. Exceto o Mãe de Deus nos seus anos iniciais, todas as últimas gestões se mostraram conturbadas. Resta a pergunta: até quando Taquara vai conviver com esse caos hospitalar? Chega! Não dá mais para aceitar essa bagunça no setor.

A última notícia desta terça-feira (10) é desoladora. O hospital, mais uma vez, está fechado. Pacientes foram transferidos e quem recorre a atendimentos terá que buscar outras unidades da região. Casos graves têm como destino definido, até mesmo, o Hospital de Novo Hamburgo.

A Prefeitura de Taquara sempre vinha sustentando que não é de sua atribuição a definição de um gestor, uma vez que é apenas proprietária do prédio do hospital. Ao mesmo tempo, o Estado afirma que mantém convênio com a entidade que é escolhida pela prefeitura para gerenciar o hospital e ter a posse do imóvel. Nesse jogo de empurra de responsabilidades, fica o cidadão, que não tem o serviço adequado. Aí, quando se esperava uma solução mais firme, visto a entrada do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público Estadual (MPE) na jogada, aconteceram também os problemas com a Scopel que resultaram no fechamento desta semana.

O que fica claro, de uma vez por todas, é que o Hospital de Taquara carrega uma crise de credibilidade e, também, sofre nos bastidores um forte jogo de interesses em sua volta. É preciso eliminar estes percalços, sob pena de que qualquer iniciativa futura para a sua retomada acabe frustrada. E só existe um caminho para isso, o jogo às claras. Muita coisa deu errada até o momento, portanto, não há mais espaço para aventuras. Que as autoridades reflitam sobre a gravidade do quadro, e entendam que somente tratando de tudo com a total transparência necessária é que será possível resolver os problemas do hospital.

A Prefeitura menciona a existência de uma possível solução para os próximos dias. É preciso que esta solução seja apresentada à avaliação da sociedade. O Estado, ente que repassa o maior valor ao funcionamento do hospital, será mais responsável com os compromissos que assume? É preciso ser chamado a responder isso! As autoridades judiciárias conseguirão dar respostas mais céleres aos eventuais problemas que surjam no andamento do hospital?

Taquara quer respostas! Só há um caminho para elas, a transparência necessária e até hoje muito negligenciada. Que mais um fechamento do hospital sirva para que todos os envolvidos no tema tenham em mente que só se resolverá a falta de credibilidade e o jogo de interesses envolvido no hospital quando absolutamente tudo sobre a casa de saúde for às claras. Caso contrário, é provável que crises novas se apresentem no futuro. A gestão moderna exige que seja realizada à luz do sol, não sob as nuvens escuras das tempestades.

Opinião do Grupo Panorama