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Em nota, ISEV rebate médicos e diz que “declarações estão eivadas de inverdades”

O Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV), gestor do Hospital Bom Jesus, enviou nota à reportagem do Jornal Panorama sobre os fatos acontecidos nesta quinta-feira na casa de saúde. Em 10 pontos, a entidade contesta o grupo de profissionais que, no começo desta tarde, procurou a reportagem e afirma que as declarações dos médicos “estão eivadas de inverdades que, com a fala mansa dos mesmos, tentam inverter a responsabilidade pelo caos em que se encontra o hospital”. O ISEV acrescenta que não demitiu nenhum profissional, que apenas excluiu quatro contratados com a intenção de manter os serviços em funcionamento. Destacou que “como comprador de serviços destes profissionais se dá o direito de comprar serviços de quem quiser”.


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A íntegra do texto do ISEV segue abaixo.

“A direção do ISEV manifesta-se à comunidade de Taquara no sentido de restabelecer a verdade dos fatos que vem ocorrendo nas últimas semanas referentes ao atendimento no Hospital Bom Jesus:


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1. A ação movida pelo Ministério Público, contra o ISEV, Prefeitura de Taquara e Estado do Rio Grande do Sul, teve origem em denúncia feita por funcionário de um serviço terceirizado que funciona nas dependências do Hospital;

2. O ISEV reconhece problemas financeiros importantes que geraram os atrasos de pagamento junto aos profissionais médicos e fornecedores. É de domínio público que a quase totalidade dos hospitais passa por problemas semelhantes em todo território nacional, não só pelo histórico subfinanciamento da saúde como um todo mas, também pelos atrasos de pagamento por falta de caixa do Estado;

3. As declarações prestadas hoje, por um grupo de médicos, ao Jornal Panorama, estão eivadas de inverdades que, com a fala mansa dos mesmos, tentam inverter a responsabilidade pelo caos em que se encontra o hospital;

4. O ISEV como entidade mantenedora, tem a obrigação de fazer funcionar o hospital para que não haja descontinuidade do atendimento da população de Taquara e Região e, para cumprir fielmente o acordo assinado com o Ministério Público;

5. Neste sentido a direção, desde o início do movimento de paralisação dos médicos, tem mantido diálogo com os mesmos com a intenção única de não haver prejuízo ao atendimento dos pacientes. Várias reuniões foram feitas. Estes médicos que hoje foram ao Jornal para iludir àqueles que desconhecem a realidade, além de não aceitarem qualquer proposta de negociação do pagamento dos seus honorários, frise-se, a proposta foi feita, não aceita e não houve contraproposta, o que deixa claro haver segundas intenções na dita paralisação. Inclusive dos médicos que aparecem no vídeo, nem todos foram dispensados de suas atividades;

6. A propósito, pode-se questionar a legalidade desta paralisação mas, o que não se pode deixar de questionar é a ética destes profissionais que à guisa de receber seus honorários deixam uma população, estimada por eles mesmos, de mais de 300 mil pessoas, sem o devido atendimento. Alegam eles que não deixaram de atender às urgências e emergências, esquecem entretanto de esclarecer que este tipo de atendimento não chega a 10% dos procedimentos do Hospital. Ou seja, a quase totalidade dos atendimentos do HBJ está paralisada pela falta de comprometimento de um grupo de médicos com o Hospital e com a população. Saliente-se entretanto que é um pequeno grupo – em um universo de mais de 40 médicos – que não deixam os demais que querem trabalhar e já manifestaram a sua vontade em inúmeras oportunidades isoladamente à direção;

7. Não é verdade de que hoje o hospital amanheceu com um exército de vigilantes, eles são apenas 4 (quatro) e contratados com a intenção de manter os serviços em funcionamento o que foi por diversas vezes tentado e o pequeno grupo, com ameaças, não deixou que os profissionais retomassem os atendimentos;

8. Não é preciso que se façam maiores explicações para evidenciar que qualquer hospital ou entidade, com 90% dos seus serviços paralisados por mais de 20 dias literalmente quebra se não tomar medidas drásticas e urgentes para restabelecer o atendimento e, em consequência o faturamento que mantém o estabelecimento de saúde;

9. Justamente com este propósito, o de garantir a manutenção dos atendimentos à população e também para dar cumprimento ao TAC assinado no dia de ontem, é que o ISEV tomou as medidas necessárias à manutenção dos serviços do HBJ. Para tanto contratou, dentre outros, serviços de Anestesiologia pois o único anestesista do hospital, valendo-se de sua condição, está paralisado!!! Serviço de Pediatria pois, conforme o relatório de inspeção do CREMERS, o hospital não conta com este especialista;

10. Por fim, o ISEV esclarece que NÃO DEMITIU NENHUM MÉDICO bem como NÃO EXCLUIU NENHUM de seu corpo clínico. O ISEV como comprador de serviços destes profissionais se dá o direito de comprar serviços de quem ele quiser e os profissionais, liberais que são, trabalham também para quem entenderem por bem fazê-lo. Desta forma, o ISEV reafirma a manutenção do diálogo para com todos os médicos do corpo clínico.”