Estudantes de Igrejinha pesquisam o impacto da internet na sociedade

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Estudantes fazem a contabilidade das entrevistas realizadas sobre o uso da internet. Divulgação

Alunos de três escolas municipais e estaduais de Igrejinha realizaram uma pesquisa sobre os impactos da internet e das redes sociais no cotidiano. O trabalho, integrado com outras disciplinas, foi realizado durante as aulas de Língua Inglesa nas escolas municipais Vila Nova e Machado de Assis e no Instituto Estadual Olívia Lahm Hirt. Entre as questões observadas, como o uso individualizado pode gerar erros em conversas e atitudes impulsivas, as características relacionadas ao uso de linguagem, bem como o cyberbullying.



O trabalho dos alunos foi coordenado pela professora Priscila Maicá e envolveu debate prévio sobre o tema, elaboração de questionários, realização de entrevistas, levantamento e análise dos dados obtidos. A partir das atividades realizadas, relacionaram-se diversos apontamentos sobre os benefícios e malefícios que as tecnologias podem causar na vida social. “O objetivo foi proporcionar aos alunos a possibilidade de entrelaçar o aprendizado da disciplina com as suas experiências cotidianas, gerando resultados capazes de torná-los mais críticos e conscientes com relação ao uso da internet”, destacou a professora Priscila.

Ao final do projeto, foram elencadas resoluções sobre o assunto e os estudantes tiveram a ideia de montar uma campanha publicitária em relação ao uso da tecnologia. “Isso mostrou que as abreviações do uso da internet foram somente o começo para uma grande conscientização real de utilização das redes sociais”, comemorou Priscila.

METODOLOGIA
Segundo a professora, após vários embasamentos sobre os perigos das redes sociais, linguagem na internet e debate sobre seus usos, a proposta foi de que cada aluno respondesse um questionários e, além disso, aplicasse para mais três pessoas de gênero e idades diferentes. “O resultado foi gratificante, pois algumas entrevistas ocorreram dentro do espaço escolar, sendo feitas com alunos de outras turmas e funcionários”, comentou a professora, lembrando que, como uma disciplina de Inglês, as entrevistas foram feitas na língua utilizada em aula.

Após todos os dados coletados, os alunos passaram à etapa de levantamento do corpo da pesquisa, com a contabilidade e separações, utilizando uma fórmula de gênero e idades. “Assim, conseguimos fazer um bom e visível levantamento sobre os dados, bem como perceber quais grupos estão na zona de perigo para a utilização da internet e redes sociais, o que pode acarretar problemas futuros”, acrescentou Priscila. Para essa etapa, houve a ajuda e parceria de professor de matemática das turmas.

RESULTADOS
No questionário, cada opção continua uma determinada pontuação. Ao final, foi feita a soma da pontuação de cada entrevistado, classificando os níveis de utilização da internet, conforme abaixo:

1. DE 6 A 18 PONTOS – Nível 1
Parabéns! Você sabe equilibrar atividades online e offline. A internet pode ser um espaço muito divertido, mas você sabe aproveitar outras coisas importantes da vida.

2. DE 19 A 36 PONTOS – Nível 2
É bom ficar atento para não exagerar com o uso da internet. Isso pode acabar atrapalhando outras atividades, como estudar ou mesmo passear. Pense nisso e aproveite o que há de melhor na internet de forma responsável.

3. DE 37 A 60 PONTOS – Nível 3
Que tal pensar melhor sobre o uso que está fazendo da internet? O tempo que você passa online pode estar te prejudicando. Pratique esportes, saia com os amigos e leia um bom livro.

Relato da professora Priscila sobre os resultados obtidos:

“A partir da análise de dados feita com base na coleta das entrevistas dos questionário, conseguimos perceber que das 278 pessoas entrevistadas, 143 eram do gênero feminino – dessas, 9,2% pertenciam ao nível 1 (N1), 54,5% ao nível 2 (N2) e 36,3% ao nível 3 (N3) – e 135 do gênero masculino – sendo 9,5% N1, 47,6% N2, 42,9% N3.
Dentro dos gêneros, os entrevistados foram divididos em faixas etários: até 14 anos, de 15 a 25 anos, de 26 a 40 anos e + 40 anos. Dentre os gêneros feminino e masculino, percebeu-se que a maior quantidade de entrevistadas ficou nas duas primeiras faixas, ou seja, até 25 anos.
Para o gênero feminino, faixa etária até 14 anos apresentou uma concentração no N2 com 58,3%; na faixa etária de 15 a 25 anos a maior porcentagem atingiu o N3, com 58,4% das entrevistadas; de 26 a 40 anos, ninguém se encontra no N1 e 72,7% no N2 e +40 anos, 55,5% no N2.
Já no gênero masculino, faixa etária até 14 anos 50% dos entrevistados ficou no N3 e 35,7% no N2; na faixa etária de 15 a 25 anos 40% no N2 e 53,4% no N3; de 26 a 40 anos a maioria, com 83,3% ficou no N2 e na faixa etária +40 anos, 57,3% se concentraram no N2.
Com esse levantamento analisamos que na faixa etária até 14 anos, o gênero masculino utiliza a internet de forma mais desequilibrada que o gênero feminino. Em relação a faixa de 15 a 25 anos, os dois gêneros se encontram com concentração maior no nível 3. Entre 26 e 40 anos, nos dois gêneros, a maior porcentagem se encontra no N2, sabendo utilizar de forma mais consciente a internet, entretanto, devem ainda haver alguns cuidados. E na última faixa etária, +40 anos, os dois gêneros, com uma porcentagem bem próxima, se encontram no N2.
A partir das atividades realizadas, relacionaram-se diversos apontamentos sobre os benefícios e malefícios que as tecnologias podem causar na vida social. Os benefícios de uso das tecnologias de informação e comunicação, especialmente da internet, vêm acompanhados de prejuízos para a saúde física, psíquica, para a cognição, para as questões de relacionamento familiar e de segurança do usuário, principalmente em se tratando de crianças e adolescentes. Porque, quando são estimulados a utilizar dispositivos tecnológicos e a adentrar no mundo virtual sem o devido acompanhamento do mundo adulto, riscos e prejuízos podem ser produzidos.
Em razão disso que os debates antes e depois do filme renderam bons comentários, pois os alunos já tinham conhecimento sobre o assunto e dados para comprovação do uso exagerado das redes sociais e a influência da internet na vida das pessoas, principalmente dos adolescentes. Por fim, e tão gratificante quanto todo o resto, elencamos as nossas resoluções sobre o assunto, bem como o surgimento da ideia de montarmos uma campanha publicitária em relação a esses usos, o que mostrou que as abreviações do uso da internet foram somente o começo para uma grande conscientização real de utilização das redes sociais.”