Extended Reality, da ficção para a realidade, por Guilherme Schirmer da Costa

Informática

Leia o artigo do Guilherme Schirmer da Costa, com novidades sobre tecnologia.

Extended Reality, da ficção para a realidade

Há alguns anos que vivemos envoltos de tecnologias que sobrepõem o real e o virtual. A realidade virtual tem deixado de ser algo acadêmico ou utilizado em jogos para se tornar uma tecnologia mais presente em outras áreas. Embora a utilização de óculos de realidade virtual não seja acessível a boa parte da população, seja pelo preço ou pela utilidade que um consumidor normal teria com a tecnologia, é inegável que existe um esforço para tornar essa tecnologia popular, basta ver os aplicativos para smartphones que geram imagens em realidade virtual com auxílio de acessórios que transformam a tela do aparelho em uma lente estereoscópica. Já a realidade aumentada (quando um aplicativo gera informação de objetos reais através de um meio digital) ou realidade mista (quando interagimos com um objeto digital posicionado em uma posição fora do digital) se tornaram muito populares nos últimos anos graças a aplicativos como Pokemon Go. Não bastasse todas essas sobreposições da realidade existirem, ainda existe mais uma, a Realidade Estendida ou Extended Reality (XR). Talvez você já tenha escutado algo sobre ela em algum lugar ou talvez tenha visto algo em algum filme de ficção científica. A XR é uma forma de sobrepor realidade e o digital, de forma que um objeto pode ser digitalizado e utilizado. Imagine um teclado digital que só pode ser acessado em qualquer superfície, não ocupa espaço físico e só pode ser utilizado pelo usuário do visor dono desse teclado. Indústrias que utilizam de protótipos e modelos em escala para apresentar seus produtos aos clientes podem ser as mais beneficiadas inicialmente.

A venda de imóveis é um bom exemplo, já que empreiteiras muitas vezes apresentam casas ou apartamentos modelo em escala real, o que custa caro e é totalmente estático para o visitante sendo apenas uma visita guiada. Em alguns casos mais modernos, já é possível visitar o futuro imóvel via computação gráfica num computador ou tablet. Para a empreiteira acaba saindo mais barato e também transforma a experiência do comprador em algo mais simples, já que ele pode fazer essa visita da própria casa. Mas caminhar por um imóvel virtual utilizando mouse e teclado talvez não seja a melhor experiência para todos, já que a noção de espaço é reduzida devido a resolução dos monitores e a movimentação artificial. Em um cenário futurista, os interessados pelo imóvel poderão visitar o imóvel de qualquer parte do mundo utilizando um óculos de realidade virtual e interagir com o ambiente, talvez até mesmo criando sua própria decoração e ajustando o imóvel ao próprio gosto e permitindo simular a caminhada e toque em objetos dentro do imóvel virtual.

A XR ainda está em momento de transição, o paradigma traz muitas questões sobre sua aplicação, segurança e desenvolvimento. No momento, não existe nenhuma aplicação em XR que seja acessível para usuários fora do mundo acadêmico ou industrial. Jogos, que costumam ser o modo entrada da população em uma nova tecnologia, ainda estão em fase experimental. Isso ocorre porque o paradigma de unificar realidade virtual e realidade aumentada ainda não foi compreendido o suficiente para criar uma mecânica de jogos engajadora. Na verdade não temos nem muita variedade de jogos em VR e AR para justificar uma alteração nos paradigmas atuais.  Então talvez tenhamos que continuar a admirar a XR através da ficção científica por enquanto.

Guilherme Schirmer da Costa
[Leia todas as colunas clicando aqui]