FaceApp, o app da moda e das controvérsias, por Guilherme Schirmer da Costa

Informática

Leia o artigo do Guilherme Schirmer da Costa, com novidades sobre tecnologia.

FaceApp, o app da moda e das controvérsias

Em tempos onde aplicativos se tornaram tão acessíveis quanto numerosos, os cuidados com segurança passaram a ser uma obrigação. Em julho, o FaceApp, aplicativo que aplica filtros baseados em inteligência artificial em fotos para criar a aparência de velhice foi alvo de muita confusão. Primeiro, o aplicativo, por se tornar ultra popular, acabou sendo vítima de versões não oficiais que instalavam ferramentas escondidas que auxiliavam o acesso remoto de outros usuários e simplificavam o roubo de dados e clonagem de informações de outros aplicativos. Atingindo principalmente usuários do sistema operacional Android que não estavam com o aparelho atualizado (e por isso, não conseguiriam baixar a versão oficial na Play Store), a estratégia dos criadores da versão não oficial utilizou duas das fraquezas humanas mais comuns: O gosto pela novidade e a insistência em colocar a segurança em segundo plano. Lembre que todo aplicativo aceito na Play Store ou App Store passa por uma verificação de possíveis acessos a áreas sensíveis do sistema operacional do aparelho. Qualquer aplicativo baixado por uma fonte não oficial é passível de alterações maliciosas, além de não possuir suporte oficial o que evita que o aplicativo seja atualizado posteriormente.

O segundo momento ocorreu ainda em Julho quando tweets começaram a surgir sobre o suposto roubo das fotos do usuário pelo aplicativo. A histeria foi grande o suficiente para sair como capa do New York Times. Na verdade, o aplicativo informa seus usuários que pode utilizar dados dos usuários e até mesmo ceder esses dados a terceiros, o que pode ser bem pior. Essa informação é apresentada ao usuário nos termos de uso do aplicativo porém, quase nenhum usuário tem o hábito de ler essas informações. Embora seja mais comum do que muitos possam pensar, grande parte dos aplicativos gratuitos que não utilizam de propagandas ou compra de conteúdo, utilizam o método de captar e revender dados dos usuários. O foco geralmente está em contas de e-mail, informações sobre localização, informações pessoais do tipo idade, área de atuação, acesso a redes sociais e sites de compra. Esse tipo de informação auxilia empresas a criarem perfis de “compra e necessidade” que ajuda a redirecionar propaganda de todo o tipo conforme o perfil dos dados obtidos. Embora seja horrível do ponto de vista da privacidade, é legal, já que é funciona através do aceite do usuário. O que aprendemos com o FaceApp? Que não devemos baixar aplicativos de fontes que sejam suspeitas e que devemos (por mais chato que possa parecer) ler os termos de uso de todo e qualquer software que utilizamos.

Guilherme Schirmer da Costa
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