FALANDO DE REDAÇÕES


Do Meu Cinicário – Defensores da total igualdade entre as pessoas, tendo bens bloqueados? Quais..


Do Meu Cinicário – Defensores da total igualdade entre as pessoas, tendo bens bloqueados? Quais bens eles poderiam ter? Se praticam a igualdade, nenhum!

Este é um assunto delicado! Nas escolas e nos concursos, representa um peso extraordinário na composição do grau final para a aprovação de qualquer candidato à promoção anual ou ao cargo pretendido. Como na maior parte da minha curta carreira no magistério, me dediquei a trabalhar com textos produzidos pelos alunos, neste último domingo, minha atenção foi despertada pela prova a ela dedicada, no Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Sobre isso, vou dar opinião (antes de levar um zero do MEC). Abordarei o quase acontecido não fosse a intervenção racional e oportuna do Supremo Tribunal Federal, impedindo a zeragem da prova que não seguisse determinado viés ideológico.

Lembro-me de quando ia à missa, há mais de 55 anos. Existia uma passagem da cerimônia, e deve existir ainda, dizendo “… peccavi nimis cogitatione, verbo et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa”. Estou copiando do velho catecismo de 1ª comunhão, minha memória não é tão fantástica assim. Está em latim, pois a missa era nesse idioma. A tradução se encaixa direitinho na tentativa do MEC de zerar redações que, ao abordar a questão dos Direitos Humanos, o façam de maneira negativa: “… pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e obras: por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa”. Já então eu ficava impressionado. Culpa definitiva por pensar e falar?

É isto aí! O MEC, embora uma organização laica (quer dizer, a gente nunca sabe), incorporou um preceito religioso. Proibiram falar (escrever) determinada opinião, pois seria culpa total, culpa definitiva, máxima culpa, punida com um zero. Na verdade, isso tem um nome bem desagradável: censura. Interessante, partindo de quem deveria preocupar-se com conceitos de liberdade. Não me lembro, absolutamente, de ter penalizado a redação de algum aluno por causa de suas opiniões. Eles escreveram e reescreveram muito; pelo menos, uma por semana, com um mínimo de 60 linhas. E li de tudo, sem culpar ninguém!

Vejo, assim, como saudável a decisão do STF de proibir a zeragem das redações no ENEM em virtude de uma opinião. O que se deve avaliar numa redação de exame/concurso é o desempenho linguístico e, isto, todos sabem – ou deveriam – independe da opinião expressa. Pode-se não concordar com ele, mas o texto estar muito bem escrito.

Cá entre nós, em todo esse imbróglio, só não entendi as notícias de que o MEC “acataria” a palavra do Supremo. Ué! Haveria outra possibilidade?

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