Falta de comunicação prejudica pacientes com colonoscopia marcada no Hospital de Taquara

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Duas pacientes com atendimento marcado para exames de colonoscopia no Hospital Bom Jesus, de Taquara, procuraram o Jornal Panorama para reclamar, nesta segunda-feira (12), do cancelamento dos procedimentos. Segundo elas, não houve qualquer comunicação a respeito da medida, o que fez com que as pacientes tivessem que realizar toda uma preparação e, quando chegaram no hospital, foram informadas de que o exame não seria realizado. O hospital atribui à Secretaria de Saúde o cancelamento dos serviços a partir desta semana. Já a secretaria afirma que, marcado o exame, cabe ao Bom Jesus comunicar eventual cancelamento.



Como Panorama mostrou semana passada, os exames de colonoscopia e endoscopia foram suspensos no Hospital de Taquara por uma decisão do governo do Estado. A casa de saúde sofreu uma vistoria da Vigilância Sanitária que interditou o procedimento, alegando que medidas necessárias não foram tomadas para corrigir problemas detectados há um ano e meio. A direção da Associação Silvio Scopel, atual gestora do hospital, afirma que não haveria tempo hábil para resolver os problemas desde que assumiu o Bom Jesus, mas acrescenta que já iniciou as correções, tendo, inclusive, encaminhado protocolos de responsável técnico ao Estado. A interdição, no entanto, foi determinada pelo governo e vale por 90 dias.

Uma das pacientes que esteve no Panorama relatou que estava com o procedimento de colonoscopia agendado para esta segunda-feira às 12h35min. Quando chegou ao hospital, foi informada de que o exame estava cancelado e que a comunicação deveria ter sido feita pela Secretaria de Saúde. Disse que foi, então, à secretaria e recebeu a informação de que quem deveria comunicar seria o hospital. A paciente lembrou que, como preparação, teve que passar o final de semana só com biscoito de polvilho, ovo, merengue e gelatina e tomar laxantes.

Contatada pelo Panorama, a diretora-administrativa do Hospital, Alexandra Camargo, informou que a Coordenadoria Regional de Saúde e as secretarias municipais foram comunicadas a respeito do problema. “Os exames que estavam agendados na semana passada, quando a Vigilância interditou o serviço, foram avisados por telefone o cancelamento, visto que estavam próximos. As agendas das próximas semanas é de responsabilidade das secretarias de saúde dos municípios avisarem. Todas as secretarias de saúde foram avisadas por telefone e e-mail”, disse Alexandra.

Entendimento diverso tem a Secretaria de Saúde de Taquara. O titular da pasta, Vanderlei Petry, disse ao Jornal Panorama que, a partir do momento em que o exame é agendado no sistema de regulação, cabe ao prestador do serviço, no caso o Hospital de Taquara, comunicar eventual cancelamento ou reagendamento. Isso acontece porque, segundo Petry, todas as informações do paciente passam à responsabilidade do prestador. Petry entende que o hospital deveria comunicar os pacientes da semana passada, desta semana e eventuais futuros agendamentos. Novos procedimentos não podem ser marcados no sistema uma vez que, desde a interdição, não é mais possível agendar as datas para o hospital de Taquara.

Petry informou que, na próxima quarta-feira (14), haverá uma reunião em São Francisco de Paula para discutir o assunto da colonoscopia envolvendo os municípios da região. A expectativa é de que as demais secretarias de saúde cobrem o Estado sobre em que local este serviço será prestado, uma vez que o governo interditou o serviço, mas não definiu novo local. Segundo Petry, Taquara lutará para manter a colonoscopia no Hospital Bom Jesus, pois a retirada da referência para o município acarretaria perda de receita para a casa de saúde.