Família Berlitz: cinco gerações de amor e dedicação ao tradicionalismo em Rolante


Patriarca é o único sócio-fundador do Piquete de Laçadores Três Estâncias na ativa


Muito antes de ser realizado o primeiro Rolantchê 33 anos atrás – na época, o rodeio não tinha este nome –, tradicionalistas discutiam a criação de um grupo que fomentasse atividades voltadas à cul­tura gaúcha na região. Assim, nasceu o Piquete de Laçadores Três Estâncias. Paulo Roberto Berlitz, com 67 anos, na época era um guri, e seguia os passos do pai, Eno Alcides Berlitz, no amor à bandeira sul-rio-grandense.

Bana­diecky, Berlitz, Diouneia e Artur, no domingo à tarde, durante o Rolantchê. Foto: Cristiano Vargas

Hoje, Paulo é o único sócio-funda­dor na ativa do Piquete, e participa com a família da organização e execu­ção do Rolantchê. Aos 15 anos, re­lembra que já participava firmemente de um movimento que procurava terreno para sediar a entidade, o que aconteceu em 13 de agosto de 1967. A área é a mesma em que é realiza­do o rodeio atualmente. Em 1968, o terreno foi cercado e começaram os treinamentos com bois. Os primeiros torneios eram com equipes convida­das da Serra e da região do Vale do Paranhana.

Quando o Piquete tinha 17 anos de fundação, Berlitz conta que os mem­bros da entidade buscavam formas para lançar o primeiro rodeio em duplas, o que aconteceu em novem­bro de 1984, em nível estadual. De lá para cá, muitas coisas foram desen­volvidas, principalmente a partir da aquisição dos 18 hectares na década de 1990, onde nasceu a entidade. Para isso, conta que a prefeitura de Rolante ajudou com aproximadamen­te 40% do valor, mas a contrapartida foi angariada através de 98 doadores. Estes foram bonificados com carteira de sócio benemérito, com acesso livre ao parque para eles e suas famílias.

O nome Rolantchê veio 24 anos atrás, fazendo a junção entre o nome do município sede e o vocativo típico gaúcho. Há dez anos, passou a ser internacional, com a participação de ginetes da Argentina e do Uruguai. A cancha nunca mudou de lugar, mas ganhou melhorias, adequando-se aos padrões oficiais. Os bois usados nas provas são alugados de diferen­tes tropas, chegando de madrugada e saindo à noite do parque. Outra evolução foram os prêmios. Berlitz conta que, de início, havia apenas o troféu para os vencedores, mas hoje também são oferecidos automóveis e valores em dinheiro como reconheci­mento aos melhores colocados, além de credencial a outros rodeios no estado.

A lida com o evento foi espalhando para os filhos. As filhas Itajanara Ber­litz, 42 anos, e Diouneia Berlitz, 39, foram as primeiras no estado a dispu­tar a prova de Laço Prenda, quando tinha 11 e sete anos, respectivamen­te. Hoje, participam da organização e execução do rodeio, trazendo os filhos Ana Clara e Maria Luiza, da primeira, e Artur Berlitz, da segunda, para acompanhar nos afazeres. Bana­diecky Berlitz, 29 anos, também está sempre na lida, mas na parte campei­ra. Ainda hoje, também competem nas modalidades, como Laço Irmãos e Pai e Filho. “Eu acho muito gratifi­cante. É emocionante”, conta Paulo, sobre ter a família por perto e ver o crescimento do Rolantchê.

 

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