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Filha denuncia que Hospital de Taquara atendeu sua mãe que teve AVC como suspeita de Covid-19

Um caso de Acidente Vascular Cerebral (AVC) tratado como suspeita de Covid-19 acabou provocando reclamação de familiares em relação ao Hospital Bom Jesus, de Taquara. A situação foi apresentada na tarde desta quarta-feira (27) à reportagem do Jornal Panorama, após a paciente, uma mulher de 50 anos, ter sido transferida para o hospital de Lajeado. A filha dela, de 22 anos, esteve na redação do Panorama para denunciar os problemas de atendimento, que começaram ainda na quinta-feira passada (21). A família sempre residiu em Taquara e o Jornal Panorama optou por não revelar nomes para preservar a intimidade das pessoas.


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Com dificuldades na visão, a mulher foi levada até o Hospital Bom Jesus na quinta-feira à noite. Em um laudo, o médico responsável alegou suspeita de Covid-19, receitou dois medicamentos (Tamiflu e Azitromicina) e determinou o isolamento domiciliar da paciente e seu marido. O homem é caminhoneiro, e, recentemente, o casal viajou até São Paulo. A mulher foi liberada ainda na manhã de sexta-feira (22), com a indicação de que os problemas na visão seriam decorrentes de queda na pressão arterial e que deveria procurar um oftalmologista, além de cumprir o isolamento recomendado.


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Contudo, as condições de saúde pioraram, e, segundo a filha da mulher, a partir deste ponto o atendimento do hospital de Taquara se mostrou mais problemático. No sábado (23), com a mulher já com problemas de fala e outras dificuldades, a família retornou com a paciente ao Hospital Bom Jesus. Neste momento, a mulher foi internada na sala laranja do hospital, em isolamento, e só foi permitido o acesso do seu marido ao local. A casa de saúde continuou tratando o caso como uma suspeita de Covid-19 e, apesar de no primeiro atendimento essa hipótese ter sido levantada, só houve coleta para o exame de sangue no sábado. A condição de saúde, segundo a filha da paciente, continuou se agravando, mas os serviços prestados pelo hospital também seguiram deficientes, na opinião dela. Segundo a filha, os funcionários, em alguns casos, até mesmo se negaram a entrar no quarto em que a mulher estava, deixando na porta do local os medicamentos para o marido ministrar.

Houve a indicação de uma tomografia, realizada ainda no sábado. Com a paciente internada há mais de 48 horas no hospital, segundo a família, somente na segunda-feira (25) foi efetuado um teste rápido de Covid-19, que apontou resultado negativo. Os familiares chamaram um neurologista particular, que apontou como hipótese diagnóstica um infarto e, pelo quadro, expansão do AVC para o tronco cerebral. A mulher foi internada na UTI do Bom Jesus. A família da paciente contratou advogada, que ingressou na Justiça requerendo internação em hospital de alta complexidade no tratamento neurológico, em face de a mulher ter sofrido um AVC. O juiz Juliano Fonseca determinou a transferência em 24 horas, na terça-feira (26). “Após os devidos esclarecimentos e o resultado negativo para a Covid-19, tenho como demonstradas as razões para o deferimento da tutela de urgência, tendo em vista que o pedido de transferência foi feito na via administrativa em 23/05/2020 e, de acordo com os documentados juntados, embora, em princípio, haja vaga em hospitais de referência, até o presente momento não há previsão para transferência. Demais disso, a probabilidade do direito veio ressalvada pela documentação médica juntada aos autos, que esclarece, também, a urgência da realização do atendimento especializado na área de neurologia, sob forte risco de óbito”, escreveu o magistrado.

Autorizada a transferência, esta ocorreu na madrugada desta quarta-feira (26). Mas, para a família, mais uma surpresa: segundo a filha da paciente, foi realizada durante a madrugada, sem comunicação aos familiares, que só ficaram sabendo da mudança ao chegar no hospital durante a manhã, quando foram informados pelos profissionais da casa de saúde. A filha procurou o Jornal Panorama ao ler reportagem que informava a internação de uma mulher na casa de saúde por suspeita de Covid-19. Ela disse que sua mãe teve o teste rápido mostrando que não sofreu a infecção provocada pelo novo coronavírus. Além disso, nesta quinta-feira (28) a família recebeu o resultado do exame de sangue, que também foi negativo para a Covid-19.

Mesmo assim, o principal problema, segundo a filha, foi o AVC, que deveria ter tido melhor tratamento por parte do hospital de Taquara, em especial pelas dificuldades apresentadas desde que sua mãe procurou o primeiro atendimento, ainda na quinta-feira passada. A intenção de trazer a público esta situação é para que fatos como estes não se repitam com outras pessoas. A paciente está internada na UTI em Lajeado, em coma, e a médica responsável pelo caso informou que a mulher restará com sequelas graves após melhorar da condição clínica atualmente apresentada.

Contraponto

A reportagem do Jornal Panorama submeteu, ainda nesta quarta-feira à tarde, pedido de posicionamento à assessoria de imprensa do Hospital Bom Jesus sobre este atendimento. Não foi remetida resposta até o fechamento desta matéria – se houver posicionamento, será acrescentado a este texto.