Foi o tempo de brincarmos de esquerda e direita, por Jefferson Müller

Caixa Postal 59

Leia o artigo de Jefferson Müller, sociólogo, no espaço de opinião dos leitores do Jornal Panorama.

As redes sociais trouxeram novas cores e luzes para a democracia. Assuntos que em tempos pretéritos geravam a atenção e interesse de poucos, passaram a ser o conteúdo das publicações diárias de muitas pessoas. Um dos temas que emergiu com grande vigor foi o debate, ou pseudodebate sobre ideologia política. Ser de Direita, ser de Esquerda, o que faz a Direita, o que faz a Esquerda.

No início, me pareceu ser esta uma oportunidade, afinal, acredito fortemente que quanto mais falarmos sobre os assuntos mais ampliamos a racionalidade e a compreensão sobre eles e, com isso, avança a sociedade em seus esforços de civilidade. Hoje questiono-me em que medida estamos conseguindo avançar com esta banalização do discurso ideológico na prática política.

O discurso agressivo e “lacrador” de lado a lado impermeabiliza o avanço da racionalidade. E a tentativa de explicar o mundo e todos os seus fenômenos a partir do debate reducionista e totalizante de direita e esquerda, apesar de sedutor, ignora que, via de regra, compreender a realidade e atuar sobre ela exige esforço cognitivo, tempo e maturidade.

Na vida como ela é existe um oceano de possibilidades que sequer ideológicos são. As pessoas, em sua maioria, esperam ações simples e corretas na gestão da coisa pública, previsibilidade para poder tocar suas vidas e ter planos com tranquilidade. A política é muito mais prática do que teórica. Produzir consensos possíveis parece-me muito mais importante do que reificar discursos polarizados.

O debate acadêmico e a compreensão histórica das teorias políticas e econômicas são muito importantes, mas precisam ser levados a sério e em ambientes adequados. Banalizar isto apenas na tentativa de buscar votos, rotular pessoas e cingir a sociedade, parece-me brincar com coisa séria.

Chegamos mais uma vez em um ano eleitoral, e minha torcida é para que possamos superar a brincadeira de esquerda e direita para avançar concretamente na solução dos problemas das cidades e na eficiência da gestão pública.

Por Jefferson Müller,
Sociólogo, de Igrejinha


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