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Galardões e condecorações, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Papa, bispos, padres, pastores e fiéis, nas igrejas, usando máscara contra o coronavírus: eis que a ciência suplantou a fé!

GALARDÕES E CONDECORAÇÕES

 Li, há alguns dias, um texto no qual o autor, diante da foto dum militar, escrevera algumas palavras pouco simpáticas às condecorações exibidas no uniforme e representadas pelas barretas, aqueles pequenos retângulos coloridos afixadas, geralmente, no lado esquerdo do peito. Apesar de um tanto preconceituosos, os comentários mostram toda a sua impertinência, se considerados em contextos mais amplos. Na verdade, elas, exibidas mais por militares – mas civis também as têm – é como se fossem um currículo, contando a quem interessar, algo das ações praticadas por seu portador e reconhecidas por instituições para tanto habilitadas. E nem sempre são medalhas ou barretas. Quais seriam esses contextos, além daquele, motivo da zanga do redator do texto citado?

Por exemplo, o escolar. Lembro, em 1953, na minha 2ª Série Primária, usei, por um mês, uma medalha pendurada no guarda-pó branco, uniforme da escola. Era a distinção para quem conseguia o 1º lugar entre os alunos da turma. Senti-me muito orgulhoso e, depois, lamentei ter sido o último ano da prática. Se continuasse em vigor em 1954, eu teria sido “forçado” a usar, durante o ano todo, a distinção novamente. Pelo motivo óbvio, pois foi o meu auge. Mas, mesmo tendo acabado essa honraria naquela escola, não significa que tenha sido extinta no geral. Até hoje, temos competições entre colégios, como feiras de Ciências ou Olimpíadas de Matemática e de Língua Portuguesa. Todas com prêmios, diplomas e medalhas.

O ambiente acadêmico é outro! É muito valorizado um professor ter, além de sua graduação básica, as famosas pós-graduações. Claro, elas não são mostradas nos jalecos, porém nos currículos oficiais, nas citações, nos comunicados internos, nas comunicações universitárias, nos trabalhos científicos. Os Especialistas, os Mestres, os Doutores, os Pós-Doutores, todos têm o equivalente às condecorações, ostensivamente, pendurados nas paredes como certificados e diplomas emoldurados.

E no esporte? Olhem só a fúria nas disputas pelos títulos de campeão no futebol, muitas vezes marcadas até com manifestações sangrentas; sintam a alegria pela vitória nas maratonas (com direito a coroa de louro); torçam pelos pódios nas corridas automobilísticas, com direito a banho de champanha, além do troféu em si.

Finalmente, o que dizer de títulos honoríficos, do tipo Doutor Honoris Causa, concedidos, quantas vezes, a agraciados sem nenhuma honra? É menos hipócrita aceitar os militares com suas barretas.

Por Plínio Dias Zíngano
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