Gerar empregos e fortalecimento da economia local não significa atração de empresas, por Mônica Faccio

Leia artigo da vereadora de Taquara Mônica Faccio (PT).

Planejar o Desenvolvimento Local/Regional é uma tarefa que está longe de ser trivial. Felizmente, Taquara conta com uma vantagem competitiva nesta questão: a FACCAT. Há muito, esta instituição está voltada para as questões do desenvolvimento local. Ali está sediado o Polo de Inovação Tecnológica, seus dirigentes são dirigentes do Corede Paranhana-Encosta da Serra, e ela sedia e organiza as principais iniciativas de pesquisa e extensão em inovação gerencial. Como se isto não bastasse, a FACCAT, há já alguns anos, abriga um dos mais importantes centros de Pesquisa e Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional do RS. Tenho a honra de fazer parte da equipe de mestrandos desta instituição e me orgulho de já haver aprendido algo sobre o tema. Ainda tenho muito a aprender. Mas estou certa de algo: estaríamos desperdiçando recursos humanos, materiais e competências se tentássemos planejar o desenvolvimento de Taquara sem nos utilizarmos do expertise da Faccat. Em especial, do seu Mestrado em Desenvolvimento Regional.
Ouvindo professores e conversando com colegas da atual turma e de turmas anteriores do Mestrado, vejo que há um consenso entre os pesquisadores: tentar modernizar e transformar radicalmente a matriz produtiva de uma localidade pela atração de empresas é um processo com poucas chances de sucesso. Para se instalar num lugar que não é o “ideal” em termos de fornecimento de insumos e custos, empresas de fora exigem subsídios fiscais (desconto de impostos) e vantangens extra-fiscais (terreno, infra-estrutura, etc.) que levam ao deslocamento dos recursos tributários dos seus fins primordiais (segurança, saúde, educação, entre outros).

Uma empresa é como uma única andorinha, sozinha não faz verão, não gera renda. Estas empresas, por não se depararem com um mercado de trabalho articulado no território, como regra geral atraem mão de obra de fora (a mão de obra é captada por ônibus em distintas localidades) e a massa de salário não é gasta na cidade, não mobiliza o comércio da cidade, mas sim de suas cidades de origem.

Qual é a saída para gerar emprego e renda para nossa população? Entendo que devemos apoiar as empresas já instaladas, que apresentam dificuldade para crescer e por vezes até de se manter, focar nas pequenas empresas, pequenos comércios, focar nos empreendedores locais, pois são esses que fazem a economias dos bairros e vilas girar. Precisamos ouvir os empresários locais para saber identificar quais são os gargalos que devemos superar como podemos avançar na geração de empregos, como podemos diversificar a produção destas empresas já instaladas em nossa cidade.

Entendo que as empresas locais, as mesmas que sustentam nossa economia merecem atenção especial do poder público, a nos cabe possibilitar assessoria técnica competente e qualificada, que trabalhem adequadamente com as peculiaridades de cada mercado e do tipo de empresa, para que essa mesma empresa possa crescer, diversificar sua oferta e ampliar a contração de mão de obra local.

Por fim, é impossível honrar o dinheiro público e fazer uma política seria de desenvolvimento econômico local sem um diagnóstico onde aponte quais são as atividades com maior potencial de desenvolvimento no território, que gerem o maior benefício social por unidade de custo e investimento.