Histórias de cães


Dizem que, quando confessamos certas coisas, diminui um pouco a dor, o incomodo, a culpa..


Dizem que, quando confessamos certas coisas, diminui um pouco a dor, o incomodo, a culpa que nos causam. Primeiro quero esclarecer que todos os cães que tenho, que tive desde que deixei a casa paterna, não os adquiri, foram achados ou nos acharam.
Quando eu e Dani fomos morar de aluguel na vila, levamos a Pinta – aparecera no fundo do pátio do primeiro lugar em que morei longe de casa, voltava eu de visitar a Dani, era o escurecer, primeiro achei que fosse um comprido coelho branco. Docinho, filhota, encontramos vagando embaixo dos carros estacionados em frente à PIRISA. Bira, fofa bolinha preta, perto do Fogão Gaúcho, eu voltava da escola noturna, e a Di, a Diana, uma grande loba, cruza de um boêmio/fogoso vira-lata, que às vezes passava uns dias conosco e que, numa chance, num romance tipo a dama e o vagabundo, se enroscou com a chique husky siberiana de uma vizinha.
Então nos mudamos para uma casa finalmente nossa. Num espaço que, a princípio, achamos seria suficiente, entre vizinhos “simpáticos”, começaram as “delas” a se estressar. Minha esposa grávida, eu com a ideia de que ali iríamos morar o resto das nossas vidas, no desespero não vi outra solução, me desfiz da Bira, que me adorava, só que isso num ciúme doentio: brigava com as outras ferozmente. Acabei me livrando da Di, que tbm me adorava, e fiz isso aproveitando o ensejo de ter ela ficado prenha ao fugir. Pus a família num “internato” de cães, onde arrumaram um sítio para ela, e, espero, bons donos para os pequenos.
Nunca mais soube deles, e até hoje esses meus atos voltam como feridas incuráveis, pois tem mais: Pinta, na casa da vila, só entre cadelas, e mesmo com uma cerca estreita e muito alta, conseguiu milagrosamente engravidar, e chorava a cada filhote dado. Sem eles, uivou durante um bom tempo, e ainda uiva, e uiva muito, quando ouve sons de filhotes. Enfim, hoje estamos em outra casa, e obrigado Senhor, com ótimos vizinhos.
Mas, dia desses, numa rua perto à minha, um homem segurava, longe de si, com ar de nojo, um cão enrolado em jornal, e daí colocou-o no porta-malas, fechou-o lá dentro. Por certas razões, não insinuei nada. Hoje passo por ali, e não vejo cachorro nenhum. Que destino ele teve? Sem resposta, agora carrego mais esse peso comigo.

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