Hoje vou falar da homarada, por Inge Dienstmann

Inge Dienstmann

Leia a coluna da jornalista Inge Dienstmann no site do Panorama.

Hoje vou falar da homarada

Que tal? Estranharam a expressão homarada? Pois eu estranharei sempre. Até porque comecei me rebelando mesmo foi contra o termo mulherada. Me soa pejorativo, remete a boiada, manada… um grupo de seres sem racionalidade, sem noção de si mesmos(as), sem um propósito definido, onde um estouro (da manada) pode desencadear algo fora de controle.

Não me considero uma típica representante do ativismo feminista, pelo menos não de bandeira; mas de atitude, sem dúvida. Por sinal, há muito tempo, e a cada dia mais. Talvez por isto que só recentemente esta palavra mulherada passou a me inspirar repulsa. Afinal, praticamente não se usa homarada. Mesmo quando nós mulheres nos referimos a eles com certo desdém, falamos, por exemplo: “os homens vão à loucura!” Já no palavreado deles, é “a mulherada “ que vai à loucura. Percebem o respeito na nomenclatura para uns e o esculacho na denominação para outras? Ou será neura minha?

Criançada vá lá que se use, quer me parecer. Afinal este é inequivocamente um grupo social ainda muito sem noção, de pouca racionalidade, sem propósitos assertivos, o que é natural da idade. E quando acontece um estouro neste meio, se assemelha mesmo a uma manada sem controle. Com todo respeito, tadinhos!Enfim! Não uso o termo homarada e abomino imaginar-me fazendo parte de uma mulherada!

Minha tribo é de mulheres: femininas, conciliadoras, resilientes, desprendidas, envolventes, capazes, surpreendentes… Não nos comparem a nada, não somos mulherada!

Inge Dienstmann
Jornalista, de Taquara
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