Hospital Bom Jesus amanhece com portas fechadas e manifestação de funcionários em Taquara

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O HBJ fica interditado até o dia 18 de março, quando deverá ser apresentada ao juiz uma solução, seja a reabertura ou o fechamento definitivo do hospital

Durante a manifestação, funcionários receberam informações sobre o futuro do HBJ.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

O Hospital Bom Jesus (HBJ), de Taquara, amanheceu, nesta terça-feira (10), com as portas fechadas, após decisão do juiz federal Norton Benites – divulgada, na noite desta segunda-feira (9), em primeira mão pelo Jornal Panorama – de aceitar o pedido de renúncia da Associação Beneficente Silvio Scopel da administração da casa de saúde. A Scopel havia encaminhado o pedido de renúncia na semana passada.


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Por volta das 6 horas desta terça-feira, o oficial de Justiça designado para cumprir a decisão do magistrado esteve no local e ‘fechou as portas’ do HBJ que, a partir de hoje, não recebe nenhum tipo de paciente para atendimento no local. Até então, a casa de saúde ainda recebia casos de urgência e emergência que eram encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).


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Como ficam os funcionários do HBJ?

Após a interdição do hospital, funcionários realizaram uma manifestação no local em busca de informações sobre questões relacionadas aos seus empregos e direitos trabalhistas. O diretor do hospital, Rinaldo Simões, participou do ato e esclareceu dúvidas sobre o futuro da casa de saúde e de seus colaboradores. De acordo com Simões, a Silvio Scopel irá seguir a determinação do juiz Norton Benites. O magistrado determinou que os encargos trabalhistas dos funcionários devem ser quitados pela associação até o dia 31 de março.

O diretor do hospital, Rinaldo Simões, respondeu aos questionamentos dos colaboradores.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

“Além disso, na determinação do juiz, consta que a Silvio Scopel deve apresentar os cálculos rescisórios de cada funcionário, em reunião que será realizada no dia 18 de março. Ainda nessa semana, deverá ser depositado o pagamento, referente ao mês de fevereiro e, possivelmente, a segunda parcela do 13º salário dos funcionários”, afirmou Simões.

O hospital não abrirá mais suas portas?

O agora ex-diretor do Hospital Bom Jesus fez questão de enfatizar que a casa de saúde “não está fechada e, sim, interditada até o dia 18 de março”, pois, segundo ele, a interdição caracteriza fechamento momentâneo e não definitivo.

Hospital segue interditado, pelo menos, até o dia 18 de março.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

No próximo dia 18 ocorrerá a apresentação à Justiça de um plano entre a Prefeitura de Taquara e representantes do Governo do Estado, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPE) para a resolução da crise no hospital de Taquara, conforme determinado pelo magistrado. Este plano deverá contemplar se o hospital retomará as atividades, e como isso acontecerá, ou se continuará fechado.

Pacientes serão encaminhados a hospitais da região

Em relação aos pacientes que estão internados na casa de saúde, Simões destacou que, no início da manhã, eram 17, divididos entre as alas clínica e psiquiátrica. Os internos da área clínica seriam transferidos para atendimento nos hospitais de Parobé e Igrejinha, conforme a disponibilidade de leitos. Já os pacientes da ala psiquiátrica seriam conduzidos ao hospital de São Francisco de Paula.

Os médicos que porventura ainda compareciam ao hospital para atender os pacientes encerraram suas atividades na noite desta segunda-feira (9). Já os enfermeiros e auxiliares, que estavam na manifestação, receberam duas opções do ex-diretor: “podem ir para suas casas, ou, seguir a ética da profissão e dar o suporte possível e necessário aos enfermos, até que todos sejam conduzidos para outros hospitais”.

A grande maioria dos manifestantes concordou em prestar auxílio aos pacientes, inclusive o próprio Simões que, mesmo não representando mais a Scopel, se comprometeu em permanecer no local. “Irei ficar no HBJ até que todos tenham suas dúvidas sanadas e suas rescisões assinadas”, disse o ex-diretor.

A culpa é de quem?

Questionado pela reportagem do Jornal Panorama se a situação de interdição em que se encontra a casa de saúde seria de responsabilidade de uma possível má administração da Silvio Scopel, Simões declarou que esta situação é antiga e passa por diversas administrações.

“A Scopel foi indicada pelo MPF para assumir a direção do hospital, justamente por problemas ocasionados por administrações anteriores. Claro que podemos ter errado em algumas decisões tomadas, durante nossa administração, mas não temos como assumir toda a culpa pela atual situação do Bom Jesus”, finalizou Rinaldo.

Confira o vídeo do início da manifestação dos colaboradores: