Hospital de Taquara registra segundo óbito de recém-nascido em menos de três meses

Caso mais recente aconteceu nesta semana e, segundo a avó do bebê, a equipe que atendeu a mãe da criança prestou atendimento e informações incoerentes.


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Inconformada com a perda do neto, uma taquarense procurou a polícia para denunciar o atendimento que Hospital Bom Jesus (HBJ), de Taquara, prestou à nora dela nesta semana. A reportagem do Jornal Panorama teve acesso à ocorrência policial e também conversou com a avó do bebê que morreu e, para preservar a identidade dos pais da criança, optou por não divulgar os nomes da família. Este é o segundo óbito de recém-nascido que ocorre na casa de saúde taquarense em menos de três meses.

Entenda o caso

Conforme o relato da avó do bebê, a mãe da criança deu entrada no HBJ por volta das 5h do dia cinco deste mês, já com a bolsa rompida. A gestante, de 27 anos, estava 38 semanas e quatro dias de gravidez. Por volta das 6h30, a avó do bebê, que é mãe do pai da criança, chegou ao hospital. Neste momento, o médico plantonista examinou a nora dela e deixou a moça em observação. Às 8h ocorreu a troca de plantão e outra médica assumiu os pacientes, levando quase uma hora, segundo relatado na ocorrência policial, para examinar novamente a gestante. A partir de então, passou a induzir o parto vaginal, com o uso de soro e comprimidos.


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A situação, conforme a familiar descreveu ao Jornal Panorama, seguiu até o anoitecer. Somente por volta das 19h45 a médica responsável pela gestante decidiu submeter a jovem à cesariana. No entanto, a moça continuou aguardando. Por volta das 21h05, a avó do bebê questionou sobre a anestesia e foi informada que o médico anestesista ainda não havia chegado ao hospital e a nora dela seguia aguardando. Minutos depois, a médica do plantão informou que não faria mais a cesariana e iria induzir o parto vaginal novamente, visto que a gestante, apesar de não sentir dor, estava com oito dedos de dilatação.

Do momento em que a médica decidiu pelo parto vaginal, novamente, até a avó da criança receber uma nova informação sobre o procedimento, se passaram mais de três horas. Segundo a taquarense, por volta das 0h50, já do dia seis, o filho dela avisou que o bebê havia nascido. Ou seja, o trabalho de parto durou cerca de 20h. A avó permaneceu no hospital até as 2h, quando foi avisada, pelo filho, que o bebê estava bem. Segundo ela, o pai da criança informou que havia falado com as enfermeiras e com a médica responsável e elas haviam o tranquilizado sobre o estado de saúde do bebê. O rapaz chegou a filmar e fotografar o filho.

Depois destas informações, a avó decidiu ir para casa, segundo ela porque também não foi liberada para conhecer o neto. Ocorre que, por volta das 3h40, o pai do bebê ligou avisando à mãe dele que a criança havia falecido. Foi então que o caso se tornou inaceitável, conforme relatou a taquarense. Ela conta que a família está inconformada. Que o hospital submeteu a nora dela a uma situação de sofrimento indescritível, resultando na perda do bebê, que foi tão esperado e, segundo ela, “era uma criança perfeita”.

A avó denuncia negligência médica, e diz que a equipe que atendeu a nora dela e o bebê foi extremamente incoerente. Deram uma informação à família e, na ficha de evolução da paciente, descreveram uma situação completamente oposta, tal como que “o bebê não chorou ao nascer, e apresentou secreção sanguinolenta no líquido aspirado das vias aéreas dele”, entre outras informações que dão a entender que a criança não estava bem. A taquarense afirma que não sabe descrever o sentimento da família, principalmente dos pais da criança – que estão, literalmente, trancados em casa, sem entender tudo o que aconteceu – mas que espera que a situação não fique impune. “A dor que nós sentimos é indescritível. Não podemos trazer nosso bebê de volta, mas precisamos alertar às autoridades para que casos como este não se repitam. É inaceitável”, afirmou a avó.

Contraponto

Nesta sexta-feira (08), a reportagem do Jornal Panorama procurou a assessoria do Hospital Bom Jesus, para que a instituição de saúde comentasse sobre o caso e esclarecesse algumas dúvidas, mas não obteve retorno até o momento.