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I can’t breath, por João Artur Lehnen Serrina do Couto

I can’t breath

Opressão não se combate com flores ou palavras de ordem. Elas são fáceis de controlar, são fáceis de dispersar. A sociedade já cansou de viver de acordo como o sistema queria. Principalmente os mais desfavorecidos. Pretos não têm mais que se calar diante do racismo, LGBT+ não devem se calar diante da lgbtfobia, mulheres não devem se calar diante do machismo e nós, infelizmente privilegiados, não podemos nos calar diante do que estão fazendo com almas inocentes.

‘Não consigo respirar’ não é só mais uma reclamação. A partir de agora é um grito de guerra. Um grito de combate a toda forma de opressão. Quanto mais nos calarmos, mais vão sentir-se no direito de tirar vidas, de deixar seus parceiros impunes. Um estrangulamento de nove minutos não é homicídio culposo.

80 tiros de aviso tiram vidas, um joelho no pescoço fere uma raça inteira, um menino morto dentro da própria casa em um ato de irresponsabilidade mancha um país com o vermelho do seu sangue e com o verde do mofo, proveniente da posição estática de tanto tempo dos que estão no poder há anos.

Estamos na decadência da sociedade. Estamos na decadência da nossa existência e cabe a nós, geração dos mais novos retirar a humanidade do buraco de preconceitos que estamos metendo-nos.

Não podemos nos calar diante de preconceitos, pois, como diz a famosa frase, não basta não ser racista, temos que ser antirracistas. Temos que lutar, sem roubar a luta pelo espaço de centenas de anos de uma raça inteira, pela igualdade e pelo fim do sistema preconceituoso e corrupto que comanda não só o país, mas sim o mundo.

A sociedade dá medo, mas dá mais medo ainda quem não se opõem a ela. Dá mais medo ainda, quem insiste que ela está certa.

Não vamos nos calar a nenhum tipo de preconceito.

Hoje em dia se escuta muito ‘Fogo nos racistas’, porém o fogo não deve ser nas pessoas, mas sim nas suas instituições, nas suas ideias, nas suas certezas. O fogo deve queimar preconceitos enraizados, deve destruir todos os ideais de desigualdade, por que mais doloroso do que ser queimado é ver seus privilégios serem consumidos pelo calor da conquista dos oprimidos.

Nossas raízes, mais podres do que nunca, devem ser cortadas. Nem que pra isso, precisemos derrubar toda uma árvore.

É preocupante a diferença de resultados na pesquisa dos termos ‘brancos’ e ‘negros’ no Google. O primeiro vai remeter ao significado da palavra, já o segundo irá apresentar notícias de sofrimento, de morte, de racismo. É triste.

O genocídio é real. Cerca de 75% dos assassinatos, na nossa pátria racista brasil (sim, letra minúscula, pois ultimamente não tem merecido nosso respeito), são de negros.

Porém, precisamos entender que não é apenas em atos de grande proporção e visibilidade que o racismo existe e causa vítimas. Ele está no olhar, está na troca de calçada, está no ato de julgar algo como ‘negrice’, está no ato de enaltecer apenas o corpo preto e não sua essência, sua luta.

Não me considero no direito de explanar e ensinar o racismo de forma efetiva, eu nunca vivi ele na minha pele, porém me sinto na necessidade de opinar e mostrar o que realmente importa, que é a união, a força e o apoio numa luta necessária contra atos que acontecem a tanto tempo, mesmo que mascarados.

Não adianta negar. O ato de Sara Winter foi racista, também. Foi covarde. Foi insano. Foi insensato. Foi doente. Necessitamos acabar com atos assim, não adianta apenas não darmos atenção. Temos que lutar contra eles, pois a falta de posicionamento contrário, faz parecer que algo é certo. Um ato que remete a uma organização supremacista branca e com preceitos de agressão a negros e quem os ajudasse, deve ser criminalizado, pois é discurso de ódio e discurso de ódio não é liberdade de expressão.

Além de tudo isso, por favor, parem de falar de racismo contra branco, de preconceito contra heteros, de femismo. Essas coisas não existem. Os opressores, infelizmente, nunca irão viver a opressão. Sim, infelizmente. Pois talvez, apenas vivendo a opressão saberiam a dor que o preconceito exerce na vítima.

Novamente, a sociedade dá medo, mas dá mais medo quem não se opõem a ela.

João Artur Lehnen Serrina do Couto
Estudante de Publicidade e Propaganda na Faccat