Informação, prevenção e tratamento: as melhores opções, frente ao HIV

Roda de conversas abriu a programação do Dezembro Vermelho, em Taquara.
Leonardo Signori, médico pneumologista, responsável pelo Serviço de Tratamento de HIV e Tuberculose em Taquara, Janine de Oliveira, farmacêutica da Secretaria de Saúde, Fernanda Lanz, psicóloga, e Andressa Martins, enfermeira especialista em Vigilância em Saúde conduziram a roda de conversas. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

“A ignorância e o preconceito na luta contra a Aids” foi o tema central de uma roda de conversas, realizada na manhã desta sexta-feira (03), no Centro Educacional Índio Brasileiro César. O evento abriu a programação do Dezembro Vermelho, em Taquara, mês alusivo à prevenção do vírus HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. A atividade foi aberta à população, e voltada, especialmente, aos profissionais da Saúde municipal.


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Para o pneumologista, responsável pelo Serviço de Tratamento de HIV e Tuberculose em Taquara, Leonardo G. Haas Signori, promover espaços para informar e esclarecer dúvidas sobre temas como este são de extrema importância. “Sempre surgem dúvidas. Mesmo quem trabalha com isso, às vezes, têm pequenas dúvidas. Então, nesses eventos conseguimos desmistificar questões e replicar conhecimento”, afirmou o profissional.


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Signori também explicou que, atualmente, é absolutamente possível ter qualidade de vida, mesmo contraindo o vírus do HIV. Por isso, o acesso à informação se faz ainda mais necessário. Segundo ele, muitas pessoas acabam não buscando tratamento por medo de serem expostas, marginalizadas, e acabarem sendo prejudicadas no trabalho, ou mesmo na família. Algo que compromete a saúde do paciente e o torna um possível transmissor da doença.

Signori esclareceu que as formas de transmissão do vírus, uma questão que ainda gera bastante dúvidas, são a transfusão de sangue – embora essa possibilidade já não exista mais, devido aos testes antecipados do sangue das bolsas; sexo sem preservativo (seja por penetração anal, vaginal ou oral – nessa ordem de risco); amamentação – por isso a gestante com soro positivo não pode amamentar o filho após o parto; período gestacional e parto – por isso a gestante é tratada para negativar a carga viral, e impedir a transmissão ao bebê.

Suor, lágrima, saliva, compartilhamento de talheres, roupas de cama NÃO representam risco de transmissão do vírus, segundo o pneumologista. Exposição a sangue em mucosa dos olhos, nariz e boca, representam risco de transmissão. Porém, com menos de 1% de chances. Assim como acidentes com objetos cortantes, ou mesmo exposição a sangue de pacientes, em contato com alguma lesão na pele. “O risco maior é por transfusão de sangue contaminado, relação sexual sem preservativo, e falta de tratamento durante a gestação e aleitamento materno”, explicou Signori.

Medicamentos e acesso ao tratamento

Conforme explicaram Signori e Janine de Oliveira, farmacêutica da Secretaria de Saúde de Taquara, atualmente todo o tratamento e exames para diagnóstico e acompanhamento dos pacientes com soro positivo para o vírus do HIV estão disponíveis rede básica de Saúde. Ou seja, nenhum paciente precisa pagar pelo tratamento. Desta forma, é possível iniciar o cuidado cada vez mais cedo.

A reação aos medicamentos também é algo cada vez menos agressiva, conforme Signori, tanto que a maioria dos pacientes não sente absolutamente nada. “São dois comprimidos diários, ingeridos de uma vez. Os pacientes têm uma vida normal. Negativam o vírus, não desenvolvem a doença, e diminuem o risco de transmissão à inexistência – mas a orientação é sempre pelo uso do preservativo, inclusive para parceiros que têm o vírus e podem comprometer o tratamento um do outro, caso tenham relação sem proteção. A questão é a prevenção e o tratamento. Assim, se vive normalmente e se prolonga a vida“, finalizou Signori.