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Intuição como guia, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – A maior diferença entre as pessoas não é a raça, a educação, a riqueza, a sexualidade. A grande diferença entre nós é a idade. Ela assusta!

INTUIÇÃO COMO GUIA

Essa comoção para receber R$ 600,00 como ajuda para enfrentar dificuldades advindas do “fique em casa”, promovido pelo governo na tentativa de diminuir a disseminação da COVID-19 – ignoro o nome oficial da ação –, me faz voltar ao assunto abordado nesta coluna há alguns anos, mesmo sem ligação com a situação atual (você imaginaria?). Antes de continuar, uma palavrinha sobre o crédito citado: justo! São tantas as tetas federais, sem citar outras, sendo mamadas e jorrando dinheiro público, irrigando obras jamais concluídas e absolutamente inúteis; tantos valores desviados, justificados pela explicação de melhoria da vida da população que, finalmente, vê-se algo sendo distribuído direto aos necessitados.

O que me chamou a atenção, foi a complicada tarefa exigida para cadastramento dos candidatos aptos a receber o valor estipulado. Segundo quem estabeleceu os critérios, a inscrição seria muito fácil. Bastava entrar em um determinado saite, e candidatar-se à referida quantia. Claro, a preocupação dos gestores desta verba pública tem justificativa. Malandros não perdem oportunidade e, de R$ 600,00 em R$ 600,00, enche-se a carteira. Nestes tempos tão duros, haverá gente querendo forrar o poncho, ainda que levar boladas infinitamente maiores, em comparação, seja brincadeira infantil!

Entretanto, minhas palavras não abordam essas regras de segurança tão necessárias. Elas analisam a apresentação das fichas de inscrição. Como costume, os saites são composições gráficas que, segundo seus criadores, programadores de computação, têm uma fantástica qualidade inerente: basta seu pretenso usuário deixar a intuição agir e nada sairá errado. Porém a palavra mágica da computação – intuitividade –, curinga para tornar mais simples os tutoriais explicativos, esquece um detalhe fundamental. Cada usuário entende o programa de maneira diferente como, aliás, acontece em qualquer aprendizado. Na indústria computacional os aprendizes são induzidos a crer na solução dos problemas, usando, apenas, a intuição. Aí, mora a confusão! O ranço é tão arraigado que todos os programas e páginas têm a detestável seção FAQ (frequently asked questions), perguntas frequentes. Se isso resolvesse as dúvidas, as respostas já deveriam estar incorporadas à programação, criando produtos mais intuitivos realmente. De qualquer maneira, quase todos conseguiram preencher o cadastramento. Agora é só esperar a confusão do recebimento dos créditos!

Por Plínio Dias Zíngano
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