Jovem sequestrada ficou presa em cômodo escuro, sofreu agressões psicológicas e empurrões

Polícia Civil revelou detalhes da operação que libertou refém de sequestro em Taquara.
Polícia Civil revelou imagem do quarto em que a vítima ficou trancada. Divulgação

A Polícia Civil revelou, nesta quarta-feira (14), detalhes da operação que libertou a refém de um sequestro em Taquara. A coletiva de imprensa foi realizada na sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Porto Alegre. Segundo a polícia, a jovem de 23 anos que ficou em poder dos criminosos passou 30 horas no cativeiro. Ela sofre de síndrome de pânico e, segundo pessoas próximas à família, ainda está em choque nesta quarta-feira. O cativeiro foi descoberto na localidade de Santa Cruz da Concórdia, interior de Taquara.


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Conforme o delegado João Paulo de Abreu, o sequestro começou por volta de 7h30min de segunda-feira, quando a jovem chegava para buscar um amigo em uma parada de ônibus. Ambos iriam para o trabalho. Os dois foram rendidos por dois criminosos e os bandidos trafegaram com o carro dela, um Hyundai HB20, até a estrada em direção a Igrejinha, nos fundos do quartel do Corpo de Bombeiros de Taquara. Neste local, o carro foi abandonado e o rapaz foi solto, enquanto a jovem foi levada para outro veículo. Neste momento, o crime passou a ser executado por três sequestradores.


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Um homem ligou para o 190 da Brigada Militar e informou o caso. A corporação acionou a Polícia Civil, que assumiu a investigação, percebendo que os criminosos também já estavam em contato com a família. Primeiro, eles pediram R$ 100 mil para libertar a mulher, mas depois reduziram o valor para R$ 30 mil. Ao longo da segunda-feira, os contatos foram por telefone celular com o pai da vítima.

Dando sequência à apuração, a Polícia Civil conseguiu a quebra do sigilo telefônico e passou a ter acesso às conversas, confirmando que se tratava de três homens, moradores do bairro Empresa, em Taquara. A partir da investigação, conseguiram descobrir o local do cativeiro, uma casa que estava desocupada, dentro de uma propriedade rural. A jovem estava sendo mantida refém em um cômodo e era alimentada apenas com bolachas e pão velho. Ela ficou em um colchão durante todas as 30 horas do sequestro.

Segundo a polícia, a vítima passou por agressão psicológica e sofreu empurrões. Segundo o titular da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos, o pai da vítima é profissional liberal e não teria condições de atender o pedido de resgate. No entanto, o fato de que o pai da vítima administra os bens de uma senhora pode ter atraído a atenção dos suspeitos, que residiam na cidade. “Isso será agora aprofundado: por que acreditaram que a família poderia pagar o resgate? Isso será melhor apurado agora”, afirmou o delegado Abreu, notando ainda que os envolvidos não teriam experiência anterior nesse tipo de crime. “Não era um grupo que já praticou outros sequestros”, frisou.

Após descobrir as informações para prender os criminosos, a Polícia Civil montou a operação da noite desta terça-feira. Para tanto, mobilizou o Departamento de Operações Aéreas, que deslocou um helicóptero para sobrevoar Taquara e Parobé, dando apoio à operação. Um homem foi preso na área urbana de Taquara. Ao chegar no local do cárcere, os policiais foram recebidos a tiros, e um dos criminosos acabou atingido e morreu. Ele ainda não foi identificado. O terceiro integrante do grupo segue foragido. Conforme a Polícia Civil, o homem preso já possuía antecedentes por receptação. O proprietário do imóvel que serviu ao cárcere será investigado pela polícia.