Júri do acusado de matar Enos Muniz segue em Taquara

Polícia

Realização do julgamento começou na manhã desta quinta-feira (13).

Júri popular do acusado de matar Enos Munis Strasser realizado em Taquara.
Alan Júnior / Jornal Panorama

Seguia em andamento, por volta das 16h40min desta quinta-feira (13), o júri de Paulo Harlley Brizola de Azevedo, acusado da morte de Enos Munzi Strasser. O crime aconteceu em 2016, em Taquara, sendo um dos que mais teve repercussão no município, principalmente após a vítima ficar cerca de uma semana desaparecida. O júri começou por volta de 10h15min. A previsão é de que a sentença seja divulgada somente por volta das 22 horas.


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Pela manhã, começou o depoimento de testemunhas. Falaram policiais que participaram das investigações. Também prestaram depoimentos outras partes que foram ouvidas no processo, como familiares da vítima e do acusado. Ainda ocorrerá a fase de debates entre acusação e defesa. O Ministério Público, neste julgamento, está representado pelo promotor Eugênio Paes Amorim.

Chegada do réu para acompanhar o seu julgamento em veículo da Susepe.
Alan Júnior / Jornal Panorama

Entenda o caso

O corpo de Enos foi encontrado no Rio dos Sinos, nos fundos do parque do Rolantchê, no dia 5 de junho de 2016, um domingo. Isso depois de uma semana de intensa procura por parte de familiares, após o seu desaparecimento na segunda-feira anterior. A vítima saiu de sua casa, situada no bairro Mundo Novo, em Taquara, no dia 30 de maio daquele ano, por volta de 6 horas, com destino à rodoviária. Segundo as investigações, foi abordado na frente de casa e sua mãe teria ouvido vozes e o barulho de duas portas de carro fechado. O automóvel de Muniz, um Fiat Palio, foi encontrado intacto, no mesmo dia, abandonado no bairro Mundo Novo. Dinheiro e documentos dele estavam no veículo.


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No processo, o réu prestou depoimento e disse que não teria motivos para matar Enos. Mas, as demais testemunhas, apontaram que o acusado não suportava o relacionamento de sua ex-namorada com a vítima, e teria feito ameaças. A juíza Débora Vissoni, que determinou o júri popular, lembrou que a sentença de pronúncia é uma verificação de admissibilidade da denúncia, e que a competência para julgamento é da sociedade, por meio do Tribunal do Júri, como definido pela Constituição para os crimes contra a vida. Por isso, a magistrada disse que, naquela fase processual, cabia a verificação dos indícios de autoria para a decisão pelo júri. “Neste contexto de prova, pois a despeito da versão sustentada pela defesa do acusado, da análise detida dos autos, a verdade é que se apresenta viável a pronúncia do denunciado”, escreveu Débora Vissoni.

A magistrada disse que todas as testemunhas apontaram que Paulo seria muito ciumento em relação às suas namoradas, em especial a que estaria tendo um relacionamento com Enos. Além disso, outras testemunhas relataram que o réu possuía armas de fogo e que deixou de comparecer ao serviço a partir do dia seguinte ao desaparecimento de Enos, o que ficou comprovado pela ficha ponto. Além desses depoimentos, a magistrada acrescenta que o réu foi submetido ao programa de análise de veracidade de voz (detector de mentiras) e o perito atestou que Paulo não foi verdadeiro quando afirmou que não teria atrito com a vítima e envolvimento com a sua morte, bem como quando disse que não sabia do envolvimento de Enos com sua ex-namorada, além de que não teria feito qualquer comentário sobre a morte da vítima. “É verdade, porém, que não há testemunhas presenciais, mas, por outro lado, também é fato que, como analisado, todas as circunstâncias conhecidas e amparadas pelo relato dos depoentes autorizam a indução da autoria em desfavor do acusado”, acrescentou a juíza.

A defesa de Paulo Harley sustentou a ausência de provas de autoria, dizendo que não existem indicativos de que o acusado tenha participação nos fatos. Também alegou inépcia da denúncia por conta de que o Ministério Público não teria apresentado a data e o local exato dos fatos, prejudicando o contraditório, o que foi negado pela juíza Débora. Outro ponto contestado pela defesa foi o apontamento pela Promotoria do crime de ocultação de cadáver, devido ao fato de Enos ter sido jogado no rio. Mas, a juíza também negou a alegação de “atipicidade da conduta”.

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