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Leitura temática, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Eu, que nunca levei a sério os movimentos pró-natureza – ela tem seu ritmo –, me descobri protetor da fauna marítima. Detesto frutos do mar!

LEITURA TEMÁTICA

 Incomodam-me lances do tipo “quem influenciou você?”, “qual o autor de seu livro de cabeceira?”, “e seu compositor musical preferido?”. Tais quesitos costumam aparecer em entrevistas de televisão ou revistas e jornais impressos (atualmente, bem pouco, pelos motivos óbvios de eles estarem desaparecendo diante da avalanche eletrônica). É uma ideia de filiação intelectual, como se todos tivéssemos obrigação de seguir alguém. O costume está bem presente quando, declaradamente, seguimos, nas redes sociais, representantes famosos de ideologias ou correntes artísticas.

            Feita a introdução, vamos ao tema deste comentário, deixando bem claro não seguir qualquer dos autores mencionados. Simplesmente, gostei das peças em questão. Tenho uma biblioteca de, talvez, uns 700 livros (é difícil dizer sem tirar todos das prateleiras e contar cada um). Ignoro se isto é muito ou pouco para um bibliófilo caseiro. Diante da pergunta: “você já leu todos”?, a resposta será não. Muitos terão sido usados apenas para referências em algum trabalho ou presentes para o filho. Em compensação, outros, bem poucos, é verdade, já foram lidos e relidos (“1984”, de George Orwell, mencionado, aqui, na semana passada, quando citei o Grande Irmão, déspota que dirige um país imaginário, onde a democracia inexiste absolutamente; aliás, acontece, na realidade, em lugares tão amados, mas jamais frequentados, por tanta gente). Agora, falo de um relido pela terceira vez: “O enigma de Andrômeda”. A primeira, em 1974; depois, 1982 e, há cinco dias, 2020.

            Sim, eu costumava anotar o ano da leitura no frontispício do livro. Por isto, sei as datas! Admito, porém, desta vez a história teve sabor diferente das degustações anteriores, talvez, por me deter mais numa análise técnica do texto em si. Assim mesmo, a releitura foi, como “1984”, quase uma tarefa temática, dada a situação pandêmica vivida nestes dias. O autor foi Michael Crichton, médico norte-americano, escritor do famosíssimo “Jurassic Park”. A trama narra a situação da invasão da Terra (nosso esférico planeta) por Andrômeda, bactéria, extremamente agressiva, capaz de matar por coagulação total do sangue em segundos. Na trama, uma microcidade de 48 habitantes foi dizimada, com exceção de um nenê chorão e um idoso em situação sanguínea especial. Por pouco, os grupos de risco da pandemia atual.

            É difícil ter acesso ao livro nestes dias de confinamento. Entretanto, se quiser saber como a ameaça foi enfrentada, e ver as providências de isolamento, assista ao filme. Não é a mesma coisa, mas está no YouTube. Divirta-se!

Por Plínio Dias Zíngano
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