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Like vérsus Dislike, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Democracia é a forma política de agir na qual você tem razão em tudo e quem pensa de modo contrário é estúpido, imbecil e ignorante.

LIKE VÉRSUS DISLIKE

 Tenho acompanhado as discussões políticas atuais pela internete prioritariamente. Gosto de ler/ouvir – mais o segundo verbo – determinados comentaristas, em detrimento de outros, o que é bastante compreensível: são tantos. Há comentário para tudo!

            O desenvolvimento tecnológico, tão execrado por grupos autoconsiderados vanguardistas no desenvolvimento social, e defensores de um retorno aos “velhos bons dias, quando tudo era mais simples e mais verdadeiro”, propicia essa participação maciça de pretensos formadores de opinião. Hoje, é fácil externar o pensamento. O planeta tornou-se uma imensa ágora, onde muita gente ergue sua voz. Antes, era coisa difícil, apesar dos maravilhosos dias mais naturais em que as borboletas e os pássaros voejavam entre as flores nos campos perfumados. Até há poucos anos, corresponder-se com jornais ou revistas, exigia a elaboração de material escrito ou fotográfico a ser enviado pelo correio para os veículos de comunicação que os publicavam, ou não. Eu próprio, tive algumas cartas publicadas pelos editores para quem as enviei. Mas era um processo lento, dadas as exigências típicas do serviço postal. Hoje, a opinião pessoal é mais livre, basta estarmos fora de um daqueles fantásticos lugares nos quais, como diria o Millôr Fernandes, ninguém “pode” se queixar.

            Ao mesmo tempo em que, dada a facilidade de expressão, se criou uma enorme quantidade de cronistas para exaltar/denunciar ao mundo os sentimentos individuais ou coletivos das pessoas, também surgiu, como corolário, a massa dos seguidores, apoiadores e compartilhadores, simpatizantes dessas mensagens. Esses últimos, nem sempre produzem imagens ou textos. Limitam-se a curtir, ou não curtir, as postagens, usando a linguagem simbólica fornecida pelos próprios programas onde o original foi veiculado. Nasceram, assim, o like e o dislike.

            Com isto, chegamos a um beco sem saída. O meu comentarista preferido, antes do seu trabalho, incentiva seus ouvintes a darem o like ou o dislike. Não entendo, entretanto, a serventia filosófica de um “não curti”. Se um dia o resultado negativo for superior ao positivo, irá o comentarista mudar suas ideias e seu estilo? Duvido muito.

Por Plínio Dias Zíngano
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