LINGUAGEM DE CAMISETAS


Do Meu Cinicário – Ante a honestidade total; a pureza total; o patriotismo total; a..


Do Meu Cinicário – Ante a honestidade total; a pureza total; o patriotismo total; a dedicação total; a bondade total, só há uma saída: a desconfiança geral.

Uma das manifestações culturais mais marcantes da atualidade é a camiseta do tipo T-Shirt. Quem não usa? Não conheço ninguém, mesmo entre os mais dedicados à boa apresentação, que se envergonhe de possuir ou já tê-la usado. Moda não é minha especialidade, mas, nela, vocês hão de concordar, encontramos de tudo.

Por exemplo, vivi alguns anos envolvido com a atividade, criando anúncios, folhetos, convites e até um jornal dedicado ao segmento. Meu cliente era costureiro, um verdadeiro artista no ramo. Não aceitava o uso da calça jeans. Justificava a recusa com toda a lógica e racionalidade possível dentro dos cânones vigentes na sua área, no caso, a alta-costura. E era convincente. Por isso, levo em conta as razões dele para deixar aberta a possibilidade da existência de alguém que não goste de uma T-Shirt. Porém, aquele profissional, ainda na ativa, finalmente, aderiu à roupa de algodão tingido de índigo. Se não o empregando nas suas belas criações, ao menos, usando trajes confeccionados com o tecido, mostrando que conceitos mudam, aliás, uma das grandes premissas da moda.

Voltando à camiseta, igual ao jeans, venceu resistências até chegar à quase unanimidade. Como roupas têm, em grande parte, motivações culturais, não se pode dizer que sua adoção já tenha um caráter universal, pois, às vezes, depende de enfrentar velhos costumes tribais. Acho, entretanto, que a coisa anda perto dessa universalização. É a praticidade aliada à simplicidade. Há, ainda, um detalhe incentivador da grande aceitação da camiseta: ela é, quase, um cartaz ambulante. Pode não ter mensagem, mas o legal são, justamente, as mensagens. Fazendo uma comparação com tempos atualíssimos, são as modernas postagens, sem mídia eletrônica. Numa camiseta, você escreve o que quiser. Não há controle dizendo que sua mensagem fere algum princípio. É você e o seu texto!

Porém, sempre há um “porém”! Sugiro conhecer o idioma utilizado nos textos. Existe o risco de, tal qual uma aluna do 6ª Ano, em Riozinho, 1997, anunciar ao mundo, em inglês: “I was raped” (fui estuprada). Talvez não fosse uma denúncia, pois seria mais efetiva a declaração em português numa delegacia de polícia. Só que se tratava, apenas, de desconhecimento do idioma. Depois da tradução, homenageando o famoso “mico”, durante algum tempo, as camisetas faltaram às aulas.

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