Luthier dedica talento e técnica à produção de instrumentos de corda

Profissional é um dos poucos no estado com nível superior em Luteria

O perfeccionismo de Rafael Savionek, 25 anos, está em cada detalhe dos violões produzidos por ele. Alguns instru­mentos levam até três meses para ficarem prontos, e são vistos pelo luthier, profissio­nal especializado na construção e conserto de instrumentos de corda, como verdadeiras obras de arte. Talvez o único na região com ensino superior na técnica, Savionek, natural de Porto Xavier, escolheu Taquara para insta­lar o ateliê próprio.


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Processo de confeccionar de um violão pode levar até três meses para concluir. Foto: Cristiano Vargas

Certa vez, o pai, Olavo Savionek, contou ter assistido a uma reportagem sobre a lu­teria. Curioso, Rafael pesquisou a respeito e passou a se interessar pelo assunto, até des­cobrir que a Universidade Federal do Paraná era a única no Brasil a oferecer a graduação no curso. Quando revelou o desejo por in­gressar na faculdade, a família estranhou a escolha, mas o apoiou durante a graduação na capital curitibana, concluída em 2015.

A faculdade ofereceu subsídio para que Rafael se aprofundasse na arte da luteria. Aprendeu sobre construção e entalhe em madeira, restauração, desenho técnico, edu­cação musical, história da arte, língua alemã, acústica, eletrônica, química de vernizes e aplicação de diversos tipos de acabamento dentre eles a goma laca, oriunda de um in­seto, que é um dos vernizes mais antigos do mundo. Dentre os mestres que o orientaram se destacam Leandro Mombach, que apren­deu com o luthier italiano Don Mineli, depois fez conservatório de Tatuí e estudou em Cre­mona, na Itália. “A arte da luteria”, como ex­plica Rafael, “é passada por gerações”.


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A vivência em república, dividida com colegas de curso, também possibilitou que se aprimorasse. Ainda no terceiro semestre da universidade, começou a dar os primei­ros passos para montar o próprio atelier. Já naquela época, foi adaptando os cômodos da casa para receber os equipamentos e as ferramentas utilizadas na produção dos ins­trumentos. Sobre a bancada de aproximada­mente um metro de altura, Rafael dá vida a violões feitos à mão. Cada detalhe é pensado estrategicamente para harmonizar no resulta­do final. Um dos exemplares de que mais se orgulha possui uma roseta com madrepérolas incrustradas.

Cada instrumento é único, como defen­de Rafael, especializado em violão, mas que também constrói artesanalmente guitarras e contrabaixos em madeira. Ele precisa analisar e estudar estrategicamente todos os passos na fabricação de um instrumento. O material é plainado, passa por entalhes e colagens que podem levar até 24 horas para ficarem pron­tas. A roseta – desenho que fica às margens da boca do violão – toma quase a metade do tempo de preparação em razão de detalhes e acabamentos. “É uma alegria quando termino um violão, e vejo que ficou bonito, alinhado e tem bom som”, conta. A maioria dos clientes é da região, e em geral solicitam consertos e regulagem de instrumentos.

Rafael explica que cada violão é exemplar único. Foto: Cristiano Vargas

Olhos apurados, ele afirma que um profis­sional capacitado necessita ter visão espacial, criatividade, bom gosto, atenção, paciência e, acima de tudo, dedicação para construir um instrumento com boa apresentação e acús­tica. Rafael explica que um luthier faz desde a construção, restauração, personalização, regulagem e até consertos gerais em instru­mentos de corda.

Antes de fixar moradia em Taquara, este­ve aqui algumas vezes durante as férias da universidade, para visitar a mãe, Leni Kletke Savionek. Em uma destas ocasiões, conheceu o projeto Cordas Vivas e ficou impressionado com o trabalho do grupo, coordenado pelo professor Álvaro Vicente, que o apresentou a músicos da região. Com os amigos, como Chi­co Paz e os integrantes da banda Staut, obtém indicações para serviços. Por este e outros motivos, Rafael não pensa em deixar Taqua­ra. “Gosto daqui, acho uma cidade boa para morar, e é perto de Porto Alegre, da Serra e da praia”, destaca.