Magda Mohd Souza Rabie

Magda Mohd Souza Rabie


37 anos, jornalista, assessora de imprensa da Prefeitura de Taquara


 

 

 

Sou responsável em tudo que me disponho a fazer, amiga, parceira, adoro dançar, estar com minha família, meu marido, meus peludos e em meu lar, sou emotiva, carinhosa, mas também sou braba, algumas situações me tiram do sério. Muitas pessoas vão dizer que não imaginam este meu lado, mas tenho sim meus momentos de fúria, indignação e de baixo-astral também como qualquer ser humano. Odeio falsidade e gente que adora tirar vantagem dos outros.
Sou a mesma pessoa sempre, em qualquer lugar. Compro no shopping e no brechó. Ando de salto alto, de tênis.
Curto do eletrônico ao sertanejo e choro até em comerciais de TV. Sou consumista, não posso negar, mas me preocupo em fazer o bem e suprir um pouco a carência de algumas pessoas. Neste momento analiso minha vida e percebo que estou no caminho certo, de outro lado, olho ao redor e me pergunto o que mais poderia fazer?, não pra mim, mas pelas pessoas que não têm oportunidades e são discriminadas. A humanidade perdeu a compaixão, talvez nunca teve, e é muito cruel saber que tem muita gente passando fome e quem deveria ter a solução pra isso não se importa.

Conte-nos um pouco sobre sua relação com Taquara?
Eu sou paranaense, nasci na cidade de Prudentópolis. Vim para o Rio Grande do Sul em 1997, para estudar jornalismo, não porque lá não tinha faculdades, mas por meus pais, principalmente meu pai árabe palestino, acharem mais eficaz vir pra cá e morar com parentes. Cheguei em Taquara no ano 2000, não conhecia e nem tinha ouvido falar da cidade. Vim pra cá com meus pais que decidiram se despedir do Paraná e seguir a vida por aqui com a família e amigos que estavam distantes. Hoje residem em Novo Hamburgo. Logo que adentrei a cidade, lembro que me chamaram a atenção as edificações antigas. O prédio da Prefeitura achei espetacular. No começo foi difícil estar numa cidade onde não se conhece ninguém, mas aos poucos a cidade e as pessoas foram conquistando o meu carinho e, hoje, considero-me taquarense de coração.

Como se deu a escolha pelo jornalismo?
Sempre me dei bem com o português, com o texto, com a leitura, com a comunicação, com a relação com as pessoas. Acho que foi por aí que escolhi seguir a comunicação social. Tenho a plena certeza que fiz a melhor escolha.

Como profissional da área, qual a tua avaliação sobre a importância do jornalismo para a sociedade?
É uma das profissões mais importantes no quesito sociedade. Imagina o mundo sem jornalistas? Se já está assim, com tanta corrupção, violência, discriminação, com as informações publicadas, televisionadas, informadas todos os dias por inúmeros jornalistas e profissionais de comunicação, imagina sem eles. O povo iria ser enganado muito mais. Gostaria que as notícias fossem mais positivas, enfatizando coisas boas, mas aí é outro ponto a ser tratado e a discussão seria longa.

E como se deu a escolha pelo serviço público?
Primeiro foi a estabilidade. Ingressei em 2003, como agente administrativo, e fui lotada na Secretaria da Saúde, trabalhei na Farmácia e no Almoxarifado, mas logo que tive a oportunidade fiz o concurso para jornalista, nos dois concursos obtive o primeiro lugar. Mas passar para o cargo que cumpro hoje foi muito especial. Tenho a Prefeitura como a minha segunda casa e faço o melhor que posso para deixar a comunidade informada das ações da municipalidade. Conquistei amigos queridos que quero cultivar para sempre. Devo muito ao serviço público, pois muitas outras oportunidades de trabalho (freelancer) surgiram desde então, não só em Taquara, mas em outros municípios.

Minha base, minha família não poderia ficar de fora, são tudo pra mim, realmente o que sou hoje devo muito a ela, meus irmãos Soheyla e Ryad e meus pais Armando e Bete. O Cícero, meu gatinho representa meus outros peludos (os quatro cães Max, Preta, Malu e Bóris), não saberia viver sem um animalzinho por perto, e sou daquelas que aperta, beija, abraça. Também destaco um dos dias recentes mais especiais pra mim, que foi o dia do lançamento do Livro Taquara: Reflexos de Um Mundo Novo. Receber o carinho dos amigos e pessoas que nem conhecia encheu meu coração de gratidão.

Muitas vezez vocês já fez defesas firmes dos servidores públicos através de redes sociais. Muitas das críticas à categoria são injustas?
Muitas sim, muitas não. Nestes quase 15 anos de serviço público (que completo em março de 2018) posso afirmar com convicção que a maioria dos servidores públicos (concursados e cargos de confiança) trabalha muito. Mas há aquelas maçãs podres que mancham a categoria e somos colocados todos no mesmo barco. É comum ouvirmos “ah, é funcionária pública”, “como eu queria ser funcionário público”, como se não trabalhássemos, estivéssemos ali só decorando o ambiente. Todos os funcionários, sem exceção, já passaram por muitos perrengues, principalmente por causa política. Não vivemos um mar de rosas, mas sim é muito bom ser funcionária pública, ainda mais quando fazemos jus ao cargo e servimos devidamente o público, a comunidade.

Conte-nos sobre a experiência no Lar Padilha?
Acho que faz uns cinco anos que me aproximei da entidade. Tem épocas que estou mais presente, outras nem tanto, mas sempre auxilio em alguma coisa. Já fui oficineira de criação de fanzines, de jornalzinho interno, de dança, além de auxiliar em ações como brechó, bilheterias de eventos, neste momento estamos produzindo, eu, o jornalista Anderson Peters, que é funcionário do lar, mais alguns adolescentes, o Jornal Comunitário do Lar Padilha. São edições mensais que buscam integrar o lar à comunidade padilhana e arredores. Foi muito bem-aceito pelas pessoas, já estamos na sétima edição. Também auxilio na parte de assessoria de imprensa. O Lar Padilha é um lugar único, sempre digo que só permanece lá quem tem muito amor pra dar.

E como é a tua relação com a fotografia?
Vou ser bem sincera em dizer que já gostei bem mais de fotografar. Acho que são muitos anos e foi tornando-se uma atividade tão normal pra mim, o entusiamo que tinha de participar de concursos e etc passou. Quando eu e o Mateus [Portal, marido], trabalhamos juntos sempre deixo a cargo dele a fotografia. Mas sim, acho essencial uma foto bem-feita para que a matéria seja bem complementada. Pelo boom das redes sociais a fotografia tornou-se mais importante ainda, uma foto com qualidade e emoção não vai passar batida.

Para você, como foi participar do livro Taquara – Retratos de Um Mundo Novo como sendo uma das autoras?
Foi muito, mas muito especial mesmo. Quando fui convidada, não aceitei de imediato, mas o Mateus, que já estava fotografando para o livro, me convenceu. Escolhi seguir o texto poético, mais leve, por ser um livro fotográfico e não histórico. Um livro que mostra a cidade como está hoje. Algumas pessoas me perguntam se eu já escrevia poesia. Só quando adolescente. Nem lembrava. Foi no susto mesmo e deu certo, pelo menos acho que deu. Mas cada palavra foi pensando nas pessoas que conheço, nos lugares que já estive, nas paisagens que idolatro quando sigo pelo interior, nas impressões que tive dos casarões quando pisei pela primeira vez em Taquara. Nem todos se agradarão, mas ninguém teve a ideia antes, a iniciativa que a Diretoria de Cultura teve, através do diretor Paulo Wagner, a quem agradeço pela confiança e respeito.

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