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Mary tinha um carneirinho, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – A justiça moderna está muito leniente: até batedor de carteira, ao ser apanhado, grita que está sendo vítima de perseguição política.

MARY TINHA UM CARNEIRINHO

Quem, de alguma forma, segue o noticiário político brasileiro, tem notado constante insistência em abordar provável má situação financeira da Rede Globo. Poderá espantar esta  ligação de política com desempenho empresarial da segunda maior rede de televisão comercial do mundo. Diariamente, lemos, ouvimos, vemos, por meios que não a citada empresa, relatos de grandes demissões de funcionários. É o clássico enxugamento de despesas para continuar operando. Os detratores da empresa atribuem tal situação a provável posicionamento de oposição ao atual governo brasileiro, causando diminuição de verbas publicitárias públicas; outro dos motivos seria o comportamento de ordem moral em sua grade de programas, criando rejeição por parte do público telespectador. Um axioma da publicidade define: maior número de clientes – espectadores, ouvintes, leitores –, maior o preço a cobrar pela mensagem em determinado veículo de comunicação. Num e noutro caso, haveria diminuição de receita e, quando a entrada de dinheiro torna menor, deve-se tomar providências. Para quem torce contra, é grande notícia, e paradoxo. Exultam e, ao mesmo tempo, lamentam, pois a “falência deixará milhares de desempregados; empresários cruéis”.

Claro, há a possibilidade do enxugamento das despesas da organização por causa das situações citadas. Mas não só devido a elas! Todas as empresas de comunicação atravessam o mesmo território hostil, independendo de posturas políticas ou morais. Cada grupo social ao qual um consumidor pertença sempre sentirá suas crenças ofendidas por posições assumidas pelo comunicador, ainda que de forma acidental. Além dessa simplificação, leve-se em conta a mudança das formas de divulgar informação, lazer, cultura e demais interesses da audiência.

A internet, proporcionou grande pulverização das mensagens, transformando qualquer consumidor em produtor. Cada um desempenha o papel desejado no espetáculo. Ou os dois. Outra inovação tão gigantesca na distribuição do conhecimento foi a invenção da impressão com tipos móveis de Gutenberg. Antes, havia monopólio do conhecimento exercido pelos mosteiros; depois dela tudo mudou. Porém aquela transformação criou a de empregar grandes capitais na manutenção do novo esquema. Agora, tudo ficou mais simples. O investimento foi reduzido drasticamente. Por isto as empresas de comunicação se adaptam para sobreviver. Manterão alta qualidade, empregando menos funcionários. Será seu ponto de atração. Não tem nada de falência.

E a Mary e seu carneirinho do título? É, só, referência a outro grande avanço na tecnologia: a primeira gravação da voz humana, feita por Thomas Edison em 1877, recitando o poema infantil “Mary tinha um carneirinho…”. Podemos ouvir o acontecimento histórico, sabe onde? Na internet, no You Tube. Como mencionado neste comentário, a informação foi democratizada e as empresas estão se adaptando. Só não pode acontecer o controle social da mídia, eufemismo significando censura!

Por Plínio Dias Zíngano
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