Másculos e excitantes, por Inge Dienstmann

Leia a coluna da jornalista Inge Dienstmann no site do Panorama.

Eu estava na piscina quando eles chegaram. Primeiro senti a presença forte de um deles. Logo percebi um calor invadindo meu corpo. Não tive coragem de me mexer na cadeira. Deixei que as coisas acontecessem à minha volta. Nunca tinha me sentido assim. Será mesmo que estas coisas só acontecem na Bahia de Todos os Santos? – pensei. Afinal, já tinham me alertado que Salvador nos leva a sentir coisas nunca antes experimentadas. Quando pensei que meu grau de excitação já beirava o máximo, o outro entrou em cena. Aproximou-se como se nada pudesse detê-lo. Olhei em volta e não havia mais ninguém na piscina. Só meu marido, que lia à sombra, sem perceber a cena.

E nada deteve a chegada do segundo. Másculo e impositivo como o primeiro. Não resisti, me deixei enlevar pela onda de prazer. Logo não conseguia distinguir se eles realmente tocavam meu corpo, ou se eu experimentava uma fantasia erótica. E se meu marido percebesse? Ele seguia lendo, pude perceber. Resolvi me entregar àquela onda que me fazia arder e relaxar ao mesmo tempo. Torcia que meu marido não levantasse os olhos do livro, que não fizesse qualquer comentário sobre a leitura, que não quebrasse o momento de êxtase.

Mas aí, num toque, tudo saiu do controle. O celular chamou, meu marido atendeu, o assunto era comigo… e os dois ali, eu sentido que se afastavam da nossa bolha de prazer. O chamado era um convite para o almoço.

E eu deixei para trás as ondas de gozo que o SOL e o VENTO me proporcionaram, num perfeito ménage à trois- um esquentando provocantemente a minha pele, o outro acariciando os pelinhos com ondas reconfortantes de prazeroso alívio. Tão dominadores, e eu tão prazerosamente subjugada.

Enfim, volúvel, corri para a sedução de uma bela mesa, um bom prato, amigos que fazem rir.

Inge Dienstmann
Jornalista, de Taquara
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