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Médicos mantêm paralisação de atendimentos eletivos no Hospital Bom Jesus

Os médicos integrantes do corpo clínico do Hospital Bom Jesus, de Taquara, realizaram assembleia na noite desta terça-feira para avaliar proposta apresentada pelo Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) para os pagamentos dos honorários em atraso. Contudo, os profissionais decidiram repudiar a proposta feita pela entidade gestora do hospital. Alegaram que os valores ofertados não cobrem sequer as despesas com a emissão de notas fiscais. Com isso, segue o movimento de paralisação das atividades eletivas do Hospital. Segundo o diretor-clínico, Richard Santos Pereira, estão sendo mantidos apenas os atendimentos de urgência e emergência.


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Segundo Richard, a decisão tomada pelo corpo clínico foi encaminhada à direção do Hospital por meio de Whatsapp e deverá ser formalizada por escrito. Também já foi encaminhada por e-mail à Promotoria. O diretor informou que o que o hospital ofereceu não cobre os custos dos médicos na emissão de notas fiscais, sendo que as parcelas alcançariam somas de 10% a 12% do valor devido. A proposta, segundo Richard, foi completamente refutada pela unanimidade dos médicos. No texto encaminhado à direção do Instituto, os médicos afirmam que, por meio da assessoria jurídica do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), entrarão na Justiça contra o ISEV e a Prefeitura de Taquara, na condição de subsidiária, uma vez que “nenhuma proposta apresentada até agora representa uma real intenção de acordo e sim apenas ações de caráter decorativo”.


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O texto dos médicos registra, ainda, o repúdio a empresas e cooperativas que estariam atuando dentro do Hospital Bom Jesus. Segundo Richard, o hospital contratou profissionais por meio destas empresas para setores como a pediatria e a obstetrícia, o que seria irregular, uma vez que o movimento de paralisação foi considerado legítimo pelo Conselho Regional de Medicina (Cremers). Com isso, segundo Richard, a troca de profissionais não é permitida, a menos que o hospital coloque em dia o que deve aos médicos que estão paralisados.

Outro ponto abordado, segundo Richard, foi uma reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) que redefiniria as competências do Hospital de Taquara. Contudo, o diretor-clínico disse que, no encontro desta quarta-feira, esta definição foi abortada, levando em conta as questões da casa de saúde taquarense. Hospitais vizinhos poderiam absorver serviços que hoje funcionam em Taquara se fosse tomada posição a respeito na reunião da CIR.

Os médicos indicaram, na carta, uma lista tríplice com os nomes de Carlos Alberto Pimentel, Flávio Soares Branco ou Renato Roberto Menzel Neto para a direção técnica da casa de saúde. “Temos de entender que a única saída para a crise que nosso hospital se encontra hoje se dará única e exclusivamente com a união do corpo clínico, da equipe de enfermagem, dos funcionários em geral apoiando uma administração séria e comprometida com o HBJ”, destacaram no texto.

CONTRAPONTO – A reportagem do Panorama tenta contato com a direção técnica do Hospital para se manifestar a respeito. A direção administrativa foi contatada, mas estava em reunião, e Panorama aguarda posicionamento a respeito.